Os pais de Terri Schiavo perderam mais uma batalha na Justiça neste sábado e estão quase sem opções legais para recorrer contra a decisão que obrigou a retirada do tubo de alimentação de sua filha. Terri sofre de uma lesão cerebral há 15 anos e, há oito dias sem alimentação, vai chegando perto da morte.
O juiz George Greer, que tem presidido a disputa legal entre Michael Schiavo, marido de Terri, e Bob e Mary Schindler, os pais da mulher, rejeitou a petição que alegava que a paciente teria tentado informar que gostaria de viver.
A disputa já causou a intervenção da assembléia da Flórida, do Congresso norte-americano e do presidente George W. Bush e, agora, os Schindler têm poucas alternativas para conseguir a recolocação do tubo de alimentos em sua filha.
Bob Schindler, que um dia antes afirmara que a filha estava "nas últimas horas", visitou Terri neste sábado e disse que a paciente está "travando uma tremenda batalha pela vida".
"Ela está lutando muito para permanecer viva", afirmou. "Quero que as autoridades saibam disso. Não é tarde para salvá-la."
Na luta para prolongar a vida de sua filha, os Schindler conseguiram apoio dos cristãos conservadores e de ativistas favoráveis ao direito à vida e contra o aborto. Pressão dos cristãos de direita fizeram o Congresso aprovar uma lei especial para levar o caso a uma corte federal.
Em 1990, Terri Schiavo sofreu uma parada cardíaca que deixou seu cérebro sem oxigênio. Os tribunais concordam com os médicos, cujos diagnósticos indicam estado vegetativo permanente.
Michael Schiavo afirmou que sua mulher não gostaria de viver naquelas condições, posição que tem sido apoiada pelos tribunais. Os Schindler alegam que a filha responde a eles e que sua condição poderia melhorar com tratamentos.
É esperado que Schiavo consiga viver por duas semanas sem o tubo de alimentação.
Nesta sexta-feira, juízes da 11a Corte de Apelações em Atlanta mantiveram decisão do Juiz James Whittemore e negaram a recolocação do tubo.
Os advogados dos Schindler disseram que não pediriam revisão de todos os 12 juízes da corte de Atlanta, que já rejeitou o caso nesta semana. A Suprema Corte dos Estados Unidos também não quis se envolver.
Barbara Weller, representante dos Schindler, afirmou que a polêmica se encerraria se Schiavo pudesse dizer "Eu quero viver".
Weller ainda afirmou que a paciente respondia com os sons "Ahhhhhhh" e "Waaaaaaaa"
Na decisão deste sábado, Freer afirmou que os Schindler poderiam ter apresentado a versão de Weller em uma audiência de emergência há três dias, mas não o fizeram.
Os pais "perderam o direito de promover os alegados sons de Schiavo quando não apresentaram o depoimento na audiência do dia 23 de março de 2005", escreveu o juiz.
Derrotado seguidamente nas cortes federais e estaduais, Bob Schindler pediu para Jeb Bush, irmão mais novo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ordenar a reinserção do tubo de alimentação.
Mas o governador Bush, que apoiou ativamente os Schindler e tentou nesta semana, sem sucesso, dar à agência de bem-estar do Estado a custódia de Terri Schiavo, afirmou que não poderia agir apenas com seus poderes executivos.
Do lado de fora do abrigo de doentes de Pinellas Park, onde Schiavo se encontra, manifestantes desesperados a favor da vida da paciente começaram a perder a esperança. A polícia já prendeu cerca de 25 pessoas que fizeram tentativas simbólicas de invadir o local com água e comida.