Por unanimidade, desembargadores da 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitaram, na manhã desta quinta-feira, os argumentos dos advogados de Suzane Richthofen para anular o julgamento da jovem. O tribunal também não aceitou a alegação de que houve "crime continuado", o que transformaria os assassinatos de Manfred e Marísia em um só crime e poderia ajudar na redução da pena de Suzane e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.
Os advogados da jovem, Denivaldo Barni Júnior e Mauro Nacif, disseram que vão pedir a anulação parcial da decisão.
Os desembargadores reconheceram, porém, a prescrição do crime de fraude processual (alteração da cena do crime) porque Suzane tinha menos de 21 anos quando os pais foram assassinados. Por causa disso, a pena da jovem foi reduzida em seis meses.
O julgamento da apelação ocorreu no Fórum João Mendes, no Centro de São Paulo, e durou cerca de três horas.
Para pedir a anulação, os advogados de Suzane defenderam que houve falhas no julgamento. A principal alegação é que ainda não houve uma decisão final sobre a sentença de pronúncia de Suzane, que define por que crimes ela responderá no julgamento. Um recurso da defesa ainda espera a apreciação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
— É uma premissa constitucional. Ninguém pode ser julgado sem conhecer o conteúdo preciso da acusação —, explicou Barni Jr.
A defesa de Suzane também argumentou que houve confusão na formulação de uma pergunta feita aos jurados para determinar a pena. Nela, diferente dos tópicos anteriores, o "não", no lugar de absolver Suzane, a condenava.
Mas o representante do Ministério Público na ação, o criminalista Alberto Zacarias Toron, lembrou que antes que o júri respondesse à questão o juiz chamou atenção para pergunta, a fim de evitar uma possível confusão.
Os advogados Adib Geraldo Jabur e Gislaine Hadad Jabur, representantes dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, também participaram da sessão. Eles tentaram a redução da pena, contando com a prescrição do crime de fraude processual e com a desqualificação do crime de Daniel como cometido por motivo torpe. Mas também não tiveram sucesso.
Justiça nega anulação de julgamento de Suzane Richthofen
Quinta, 22 de Novembro de 2007 às 14:58, por: CdB