A Justiça Militar negou nesta sexta-feira o pedido de liberdade provisória, feito pelos advogados do sargento do Exército Laci de Araújo. Acusado de deserção, ele está preso desde o dia 4 de junho, depois de ter assumido publicamente envolvimento homossexual com o ex-sargento do Exército Fernando Alcântara, que recebeu baixa hoje das Forças Armadas.
- Eu entendo que, neste caso, não é cabível; não devemos conceder essa liberdade provisória - justificou a juíza militar Zilah Maria Petersen.
A Justiça Militar negou também o pedido de menagem - a possibilidade de se o sargento ficar detido no quartel, mas não preso em uma cela, ou seja, com liberdade de locomoção.
O Conselho Permanente de Justiça para o Exército, que estava reunido durante o depoimento, votou, junto com a juíza, pela realização de uma perícia neuropsiquiátrica e psicológica do sargento Laci de Araújo.
A perícia deve ser realizada já na próxima semana, no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, por uma equipe de médicos civis.
- Eu não acredito em um exame pericial feito em uma casa, se há um problema psicológico, ele está lá permanentemente - afirmou a juíza.
Ao final da sessão, o ex-sargento Fernando Alcântara, disse que esperava uma decisão mais branda.
- Foi surpresa, mas em todo o caso, já que vai ter uma análise mais aprofundada, e a gente tem esperança que dê certo.
Para ele, o transtorno psicológico demonstrado por Laci de Araújo, ao sair do Superior Tribunal Militar (STM), onde ocorreu o depoimento, mostra qual é a condição do sargento.
- O ideal seria sair agora direto para o hospital e não para um cela de doi metros por três - disse o ex-sargento.
Fernando Alcântara acredita que a providência tomada pela juíza, pela realização da perícia, deveria ter sido tomada há muito mais tempo pelo Exército.
- Para ele sair totalmente transtornado daqui, é porque ele realmente está sofrendo intensa tortura psicológica - concluiu.