Um juiz de Milão decidiu levar a julgamento o fundador da Parmalat, Calisto Tanzi, 15 outros executivos e três instituições financeiras envolvidos no escândalo que levou uma das mais famosas marcas italianas à falência.
Após oito meses de audiências preliminares, o juiz Cesare Tacconi aceitou as denúncias de prática de fraude comercial, auditorias falsas e o impedimento do trabalho de reguladores.
Os escritórios na Itália do Bank of America, dos auditores Deloitte & Touche e da ex-afiliada italiana da Grant Thornton também foram acusados de ajudar o grupo Parmalat a enganar os investidores.
Sob as leis italianas, empresas podem ser julgadas, enfrentando possíveis multas ou mesmo o fechamento forçado se consideradas culpadas. Dois sócios da Deloitte e três empregados do Bank of America também foram indiciados individualmente.
O Bank of America e a Deloitte negam as acusações. A Grant Thornton cortou os laços com sua unidade italiana nas semanas que se seguiram ao estouro do escândalo contábil de 14 bilhões de euros (17 bilhões de dólares).
A primeira sessão do julgamento está marcada para 28 de setembro.
Uma das mais conhecidas empresas alimentícias da Itália, a Parmalat abalou os investidores em 2003 ao revelar que uma conta bancária de 4 bilhões de euros não existia.
Agora sob intervenção, a empresa reduziu suas operações antes de uma planejada volta ao mercado de ações. Os credores devem votar a partir da terça-feira até o fim de agosto sobre um plano para converter 12 bilhões de euros em dívidas por ações.
Promotores em Parma, onde está a sede da Parmalat, estão conduzindo uma série de inquéritos separados sobre fraudes cometidas pela empresa. Eles concluíram formalmente a parte principal da investigação, acusando 71 pessoas, mas nenhuma delas foi ainda mandada a julgamento.