A Justiça francesa abriu uma investigação pelo naufrágio do navio senegalês "Le Joola" em setembro passado em frente à costa da Gâmbia, no qual morreram cerca de 2.000 pessoas, entre elas uns 30 franceses. A investigação da Procuradoria de Evry (arredores de Paris), onde vivem alguns familiares das vítimas francesas, se centra nas acusações de homicídio involuntário, ferimentos involuntários e falta de assistência a pessoas em perigo, informa esta segunda-feira, o jornal 20 Minutes. No Senegal uma comissão de investigação técnica já estabeleceu algumas causas do naufrágio, mas com numerosas lacunas e sem apontar os responsáveis da tragédia. Bem antes do naufrágio haviam sido detectadas várias irregularidades na embarcação, como a sobrecarga de passageiros (tinha uma capacidade legal para 550 passageiros) e a falta de segurança a bordo. De fato, em 1998 o navio teve seu certificado de navegação cassado e sua gestão passou a depender do Exército. No último dia 3, o presidente senegalês, Abdulaye Wade, prometeu o pagamento de uma indenização às famílias das vítimas do "Le Joola" que tivessem apresentado uma demanda, mas não especificou a quantia. No entanto, das 1.863 pessoas mortas no naufrágio só uma centena de processos foram apresentados. Segundo fontes próximas ao caso, a investigação francesa ameaça "provar a incompetência do Estado para explorar e manter o navio". Na noite de 26 de setembro passado, "Le Joola", administrado pelo Exército senegalês e que cobria a rota entre Dacar e Casamance, naufragou em frente à Gâmbia e, depois de soar o alarme no começo da manhã, os serviços de assistência só chegaram dez horas depois. Entre as 1.863 vítimas fatais, mais que no naufrágio do "Titanic", havia alguns europeus e só 64 pessoas conseguiram sobreviver. No entanto, o número de mortos poderia ser maior, já que nem as crianças nem os clandestinos estavam registrados como parte dos passageiros.
Justiça francesa abre investigação sobre naufrágio do "Le Joola"
Segunda, 14 de Abril de 2003 às 06:52, por: CdB