O juiz Luciano Silva Barreto adiou para o dia 11 de maio, às 11 horas, o interrogatório do deputado estadual Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babu, e dos outros sete acusados de envolvimento em milícias na Zona Oeste do Rio. Marcada para esta terça-feira, a audiência foi remarcada porque a defesa dos réus alegou que ainda não teve acesso aos 102 CDs em que estão contidas as gravações resultantes das interceptações telefônicas.
O material deu origem à denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual, recebida pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio em janeiro passado. Todos respondem por extorsão e formação de quadrilha.
O adiamento do interrogatório atendeu à liminar obtida pelo tenente coronel da PM Carlos Jorge Cunha no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa do policial afirmou que apenas o Ministério Público teve acesso aos CDs, que estavam em lugar não sabido. Segundo os advogados, apenas no dia 24 de março eles foram informados pelo TJ de que o material estava acautelado na Corregedoria Geral da Polícia Civil (Coinpol).
"Em razão do motivo acima, redesigno a audiência de interrogatório dos acusados para o próximo dia 11 de maio de 2009, às 11 horas, ficando os doutores advogados presentes devidamente intimados", escreveu o juiz na ata da audiência.
O Ministério Público também não se opôs à mudança de data.
– Não se opõe o Ministério Público, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa – afirmou o promotor Marcelo Pereira Marques.
O juiz Luciano Silva, titular da 9ª Vara Criminal da capital, que foi designado pelo relator da denúncia, desembargador Valmir de Oliveira Silva, para a realização do interrogatório dos réus, informou que as mídias ficarão disponíveis na Secretaria do Órgão Especial do TJ. A partir da próxima quarta-feira, cada advogado terá dois dias de acesso ao material até a data da audiência.
Jorge Babu, o único acusado que está solto, não compareceu à audiência. Os demais chegaram à sessão algemados, exceto o tenente coronel Carlos Jorge Cunha. Alegando excesso de prazo da instrução criminal e em virtude de o réu estar preso há oito meses, sua defesa pediu o relaxamento da prisão.
O mesmo pedido foi formulado pelos advogados do fuzileiro naval Carlos Eduardo Marinho dos Santos, do PM Alfredo Carlos Cândido de Oliveira, do bombeiro militar Carlos José Dias, de Leonardo Moraes de Andrade e de Roberto de Lima. O advogado de Davinilson Freitas dos Santos - o Júnior - também reiterou o pedido de liberdade provisória pelo mesmo fundamento. Os requerimentos serão apreciados pelo relator da denúncia, o desembargador Valmir de Oliveira Silva, do Órgão Especial do TJ.
Justiça do Rio adia interrogatório de Jorge Babu
Terça, 28 de Abril de 2009 às 08:17, por: CdB