A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta sexta-feira a prisão preventiva de sete agentes penitenciários e mais três detentos que cumpriam pena no presídio Ary Franco, todos acusados de torturar e matar o comerciante chinês Chan Kim Chang. O comerciante foi espancado e sofreu fratura de crânio por se recusar a ser fotografado ao chegar à unidade prisional.
O juiz em exercício da 19ª Vara Criminal da Capital, Moacir Pessoa de Araújo, decidiu não decretar a prisão de Élio Henriques Bandeira, outro detento, por entender que ele apenas mentiu em seu depoimento à polícia. Ele também modificou a cena do crime, alterando aspectos da sala onde o chinês fora espancado, "visando a induzir em erro o perito criminal e o juiz do processo penal".
O major PM Luís Gustavo Matias da Silva, que era diretor do presídio, foi denunciado pelo Ministério Público, mas não teve a prisão preventiva solicitada, já que ele é acusado apenas do crime de omissão.
O interrogatório dos dez acusados já foi marcado pela Justiça para o próximo dia 10, às 13 horas. Em sua decisão, o juiz Moacir Pessoa de Araújo considerou necessária a prisão dos acusados, não só como garantia da ordem pública, como também por conveniência da instrução criminal. Para ele, "o crime de tortura causa séria repulsa e intranqüilidade na sociedade, principalmente, quando imputado a quem tem o dever e função de zelar pela segurança e manter ilesas pessoas que estejam sob a guarda e proteção do agente".
O comerciante chinês foi preso 25 de agosto ao tentar embarcar para os Estados Unidos com US$ 30 mil não declarados à Receita Federal. Levado para o presídio Ary Franco, dois dias depois teve que ser internado com escoriações pelo corpo.
Chang foi levado ao Hospital Salgado Filho, no Méier, Zona Norte do Rio. Ele passou oito dias em coma, mas acabou falecendo no dia 4 de setembro. A Justiça já havia concedido um alvará de soltura.
Chang vivia no Brasil desde 1983, mas havia decidido morar nos Estados Unidos com a família. Os familiares de Chang vão exigir uma indenização do governo brasileiro.