Os advogados de defesa já adiantaram que pedirão a anulação do julgamento por inconsistência das provas
24/02/2011
da redação
Apesar da Justiça chilena ter absolvido, nesta terça-feira (22), 17 mapuche que eram acusados de delitos de terrorismo e roubo de madeira por falta de provas, quatro deles, no entanto, foram condenados por crimes comuns.
Héctor Llaitul, Ramón Llanquileo, Jonathan Huillical e José Huenuche foram punidos pelo crime de "atentado contra a autoridade" e pelo ataque a uma escolta do promotor Mario Elgueta, ocorrido em outubro de 2008 em Puerto Choque, no sul do país.
Eles também foram considerados culpados por um assalto contra Santos Jorquera, testemunha protegida pelo Ministério Público e ex-colaborador da ditadura militar na zona de Arauco.
O período de cumprimeiro das penas será anunciado no dia 22 de março, e a defesa dos mapuche terá dez dias para entrar com recurso.
Perseguição
Os advogados de defesa dos indígenas já adiantaram que pedirão a anulação do julgamento por inconsistência das provas apresentadas pelo Ministério Público. Além de contradição nos depoimentos das testemunhas, os defensores denunciam que houve torturas contra os condenados.
"Utilizou-se da confissão de alguns deles [indígenas], obtida claramente com infração a garantias mínimas. Acreditamos que houve violação dos direitos humanos", afirma o advogado Georgy Schubert.
Já a porta-voz dos mapuche, Natividad Llanquileo, "a sentença confirma que há uma perseguição política contra os líderes", já que os quatro condenados são as principais lideranças dos indígenas. Ela lembra ainda que as provas utilizadas não tiveram base em crimes comuns, mas sim na Lei Antiterrorista chilena, da ditadura de Augusto Pinochet, e não tem relação com delitos comuns.
"Os companheiros estão presos por pensar diferente e levantar uma bandeira de luta", afirma Luis Menares, um dos 17 indígenas que foi absolvido. "A Lei Antiterrorista marcou cada minuto do julgamento e não se pode descartar que, no futuro, volte a ser utilizada contra os mapuche", completa.
Os indígenas realizaram, entre outubro e novembro de 2010, uma greve de fome pedindo para não serem enquadrados na Lei Antiterrorista, além da devolução de suas terras ancestrais. A comunidade não descarta, nos próximos dias, realizar novos protestos.
(Com informações de agências)