A Justiça condenou quatro líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre eles o coordenador nacional José Rainha Júnior, a 10 anos de prisão em regime fechado por furto e incêndio durante a invasão de uma fazenda no interior de São Paulo, em 2000.
- Eles foram condenados pela invasão à fazenda Santana da Alcídia, em Teodoro Sampaio (interior de São Paulo). As acusações são de furto e incêndio - afirmou uma assessora do MST, nesta sexta-feira.
De todos os condenados, apenas Clédson Mendes já teve seu mandado de prisão cumprido. Ele está detido em um presídio de Presidente Wenceslau, no Estado de São Paulo. A assessora não soube informar onde os outros líderes se encontram.
Habeas corpus
A prisão de José Rainha Júnior, segundo o diretor nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, mostra que "mais uma vez tanto a elite do Pontal do Paranapanema como os fazendeiros de latifúndios improdutivos continuam criminalizando os movimentos". Ao participar do encerramento da Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil, João Paulo argumentou ainda que a prisão de Rainha e do coordenador estadual do MST, Paulo Albuquerque, e dos líderes Márcio Barreto, Edna Torrioni e Manuel Messias Duda não reflete "uma ação de caráter nacional contra o MST", mas uma decisão localizada. "Parte dos integrantes do MST continuam sendo perseguidos politicamente", disse.
Ele informou que, na segunda-feira, os advogados do movimento entrarão com pedido de hábeas corpus na justiça para que os quatro possam responder ao processo em liberdade.
- A reforma agrária no país não é um problema de polícia ou de prisão de dirigentes do MST, mas de decisão política de parte do governo federal em assentar as famílias acampadas. Portanto, as ocupações continuam em todo país - afirmou o diretor nacional do MST.
Segundo ele, o movimento não invadirá prédios públicos em protesto às prisões por confiar na decisão das instâncias superiores.
- Por ora, o MST está confiando na decisão do Poder Judiciário, que vai corrigir esse ato do juiz da cidade de Teodoro Sampaio, que possivelmente deve ter algum laço com os fazendeiros e latifundiários daquela região - ponderou.
A Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil é realizada pela Campanha Jubileu Brasil e da 4ª Semana Social Brasileira. Durante o evento, foram discutidos dez temas que são: Educação e Cultura; Saúde; Trabalho; Cidades; Soberania e Relações Internacionais; Comunicação; Valores, Gênero e Etnia; Economia; Campo; Sistema Político.