Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Justiça condena dois últimos policiais pela morte da juíza Patrícia Acioli

Durante um julgamento que entrou pela noite adentro, o Tribunal do Júri de Niterói, Grande Rio, condenou os dois últimos policiais militares acusados de participar do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, em 2011. Sammy dos Santos Quintanilha recebeu pena de 25 anos de reclusão em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e para assegurar impunidade de outros crimes) e formação de quadrilha.

Terça, 15 de Abril de 2014 às 07:47, por: CdB
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A Justiça também determinou que ambos sejam expulsos da Polícia Militar
Durante um julgamento que entrou pela noite adentro, o Tribunal do Júri de Niterói,  Grande Rio,  condenou os dois últimos policiais militares acusados de participar do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, em 2011. Sammy dos Santos Quintanilha recebeu pena de 25 anos de reclusão em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e para assegurar impunidade de outros crimes) e formação de quadrilha. Handerson Lents Henriques da Silva recebeu a menor pena entre os 11 policiais denunciados pelo assassinato: quatro anos e seis meses, em regime semiaberto. Ele foi condenado apenas por violação de sigilo funcional, já que confessou ter fornecido o endereço de Patricia Acioli para os colegas executarem o crime. A Justiça também determinou que ambos sejam expulsos da Polícia Militar. Antes deles, nove policiais já haviam sido condenados pelo assassinato: o ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, condenado a 36 anos; o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopez, a 36 anos; Jefferson de Araujo Miranda, a 26 anos; Jovanis Falcão, a 25 anos e seis meses; Charles Azevedo Tavares e Alex Ribeiro Pereira, a 25 anos; Junior Cezar de Medeiros, a 22 anos e seis meses; Sérgio Costa Júnior foi condenado a 21 anos; e Carlos Adílio Maciel dos Santos, a 19 anos e seis meses. Segundo fontes da polícia, entre 2001 e 2011 a juíza foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio. Em setembro de 2010, seis suspeitos, ente eles quatro policiais militares, foram presos. Segundo as investigações, todos faziam parte de um grupo envolvido no assassinato de 11 pessoas em São Gonçalo. A juíza Patricia Acioli foi quem expediu os mandados de prisão. De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, a juíza nunca pediu escolta, mas, por iniciativa do Tribunal, teve proteção intensa de 2002 a 2007, com três policiais fazendo a sua segurança 24 horas por dia. O Departamento de Segurança Institucional do TJ avaliou em 2007,  o caso e verificou que não havia mais necessidade de segurança intensa. O tribunal colocou, então, à disposição da juíza um policial para fazer sua segurança. Mas, segundo ele, a juíza dispensou a proteção do Tribunal. O presidente disse ainda que é muito comum os juízes pediram para serem liberados da segurança porque ela interfere na liberdade dos magistrados. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros falou sobre a escolta da juíza. "Esta juíza, ela foi ameçada, andou com escolta e depois que casou com um PM dispensou a escolta. Ela é mulher, tem três filhos, andar com agentes é uma situação que pode ter causado incômodo", explicou. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, afirmou que o crime "foi uma barbaridade contra um ser humano e, sobretudo, contra a Justiça brasileira e o Estado de Direito". Patrícia Acioli foi morta a tiros quando chegava em casa, em Niterói, depois de deixar o trabalho na Vara Criminal de São Gonçalo. A magistrada era considerada linha-dura no julgamento de crimes cometidos por policiais militares. Sua morte seria uma vingança tramada pelo grupo de PMs, devido às condenações de colegas.
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