Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Justiça condena assassinos de Anna Politkovskaya à prisão perpétua na Rússia

O organizador e o autor material do assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, morta em 2006, foram condenados nesta segunda-feira à prisão perpétua por um tribunal de Moscou. Seus três cúmplices foram sentenciados a penas de prisão entre 12 e 20 anos.

Segunda, 09 de Junho de 2014 às 09:56, por: CdB
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O organizador e o autor do atentado contra a jornalista crítica ao Kremlin pegaram prisão perpétua. Seus três cúmplices foram sentenciados a penas de prisão entre 12 e 20 anos. Crime ocorreu em 2006 Politkovskay revelou crimes de tropas russas na Chechênia
O organizador e o autor material do assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, morta em 2006, foram condenados nesta segunda-feira à prisão perpétua por um tribunal de Moscou. Seus três cúmplices foram sentenciados a penas de prisão entre 12 e 20 anos. Segundo a agência de notícias estatal russa Itar-Tass, o juiz Pawel Meljochin considerou como comprovado que os homens estiveram envolvidos na morte da ativista dos direitos humanos e repórter do jornal crítico ao Kremlin Novaya Gazeta, de 48 anos. O atirador Rustam Makhmudov e o tio dele, Lom-Ali Gaitukayev – tido como o organizador do crime – foram sentenciados à pena perpétua. Dois dos irmãos de Makhmudov foram condenados a 12 e 14 anos. Um ex-policialde Moscou, Sergei Khadzhikurbanov, pegou 20 anos como cúmplice. Gaitulayev e os irmãos Makhmudov têm origem chechena. Defesa quer recorrer
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A promotoria pediu as penas após os jurados terem considerado os cinco réus culpados em maio. A defesa pediu a absolvição por falta de provas e anunciou que vai recorrer da sentença. Politkovskaya foi morta a tiros em 2006 na porta de seu apartamento em Moscou, quando voltava de compras. O assassinato causou indignação mundial. Os mandantes do crime permanecem desconhecidos. A organização de direitos humanos Anistia Internacional declarou que os veredictos são apenas um "pequeno passo" para se fazer justiça. "Este processo também deixa muitas perguntas sem resposta", acusou o diretor do escritório da entidade na Rússia, Sergei Nikitin, acrescentando que somente quando os mandantes forem descobertos que o crime poderá ser elucidado. Suspeitas sobre o Kremlin Tanto a família de Politkovskaya como ativistas apontaram que os condenados apenas estavam seguindo ordens. Ativistas de direitos civis suspeitam que as pistas dos mandantes do crime possam levar a pessoas dos círculos do Kremlin. Politkovskaya era uma severa oponente do líder russo Vladimir Putin e tinha reputação de jornalista destemida e dedicada. Ela revelou numerosas violações dos direitos humanos realizadas por forças russas na Chechênia. Para alguns dos réus, este era já o segundo processo, já que num primeiro julgamento, em 2009, houve absolvição por falta de provas. Vida de lutas Anna Stepanovna Politkovskaia nasceu em Nova Iorque, em 30 de agosto de 1958, e morreu em Moscou, dia 7 de Outubro de 2006. Ela foi uma jornalista e humanitária russa, conhecida pela cobertura crítica à guerra na Tchetchénia e ao governo do presidente Vladimir Putin.1 Anna Politkovskaia nasceu na cidade de Nova Iorque devido ao fato dos seus pais (de origem ucraniana) serem diplomatas na Organização das Nações Unidas (ONU). Anna foi enviada de volta para a Rússia pelos pais, onde realizou os seus estudos. Em 1980 formou-se em jornalismo pela Universidade Estatal de Moscou. Iniciou a sua carreira no jornal Izvestiya. Em 1998 visitou a Tchetchénia pela primeira vez enquanto jornalista do Obshchaya Gazeta. Desde 1999 era jornalista do Novaya Gazeta, bissemanário independente russo. Trabalhava nesse quando se iniciou a segunda guerra na Tchetchénia, que Politkovskaia cobria com relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela população civil e sobre abusos cometidos pelas autoridades russas durante o conflito. Em Fevereiro de 2001 foi detida no sul da Tchetchénia pelo exército russo sob acusação de ter obtido informações secretas. Oito meses depois refugiou-se em Viena, depois de ter recebido por correio eletrónico várias ameaças de um policial russo que Politkovskaia acusou ter cometido abusos. Em Outubro de 2002, foi uma das mediadoras na crise do teatro Dubrovka gerada quando um grupo de rebeldes da Tchetchénia sequestrou um grupo de pessoas que assistia a um espetáculo. Em Setembro de 2004 tentou ser mediadora no caso da escola de Beslan, na Ossétia do Norte, mas ficou doente tendo sido levada para um hospital de Rostov do Don, onde lhe foi diagnosticado um envenenamento. Politkovskaia afirmou que não tinha ingerido nada naquele dia, a não ser o chá que lhe foi servido durante o voo. Anna Politkovskaia foi assassinada a 7 de Outubro de 2006 em Moscovo. O seu corpo foi descoberto por uma vizinha no elevador do prédio no qual habitava.
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