A Justiça Federal vai realizar, no próximo dia 8, uma audiência de conciliação em Dourados (MS) entre fazendeiros, índios, Ministério Público Federal e Funai para tentar resolver o impasse que se instalou na região de Iguatemi, no sul do Mato Grosso do Sul, desde o final do mês passado.
O clima na região está bastante tenso, segundo o administrador regional da Funai, William Rodrigues. Desde o dia 22 de dezembro, mais de mil índios guarani e kaiowá agem para a retomada de terras numa área que denominam yvy katu (terra boa, em guarani).
Os índios já ocuparam as fazendas Agrolak, Paloma e São José, que ficam em parte da área reivindicada, ao todo, são oito propriedades em cerca de 7,8 mil hectares, ao lado da reserva de Porto Lindo.
Rodrigues diz que os índios não querem sair. Segundo ele, não está havendo resistência ostensiva por parte dos fazendeiros contra as invasões. Os índios, homens, mulheres, crianças e idosos, estão armando barracas de lona no local para acampar. Eles temem a ação de grupos de pistoleiros contratados pelos proprietários e vigiam as entradas das fazendas dia e noite.
Os índios reivindicam a ampliação da reserva de Porto Lindo, que tem 1.648 hectares, demarcados em 1928 pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio. Antropólogos já reconhecem mais 7.800 hectares como terra de ocupação indígena tradicional. A assessoria da Funai informou que está sendo finalizado um relatório antropológico da área.
Caso seja aceito, o resumo do relatório será publicado no Diário Oficial da União. A partir de então, os fazendeiros terão 90 dias para contestar. Se os pedidos não forem aceitos, as terras estarão prontas para a demarcação. A conclusão do processo de homologação ainda pode demorar anos.
Justiça busca conciliação entre fazendeiros e índios em MS
Segunda, 05 de Janeiro de 2004 às 17:31, por: CdB