Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Justiça belga examina recurso de Belhadj contra extradição

Quarta, 02 de Março de 2005 às 02:29, por: CdB

A Câmara de Acusação do Tribunal de Bruxelas examina, nesta quarta-feira, o recurso apresentado pelo suposto porta-voz da Al Qaeda na Europa, o marroquino Youssef Belhadj, contra a extradição solicitada pela Justiça espanhola.

Belhadj foi detido em primeiro de fevereiro em Bruxelas pela polícia belga após a solicitação das autoridades judiciais espanholas, que suspeitam ser ele o porta-voz da Al Qaeda na Europa que reivindicou os atentados terroristas de 11 de março de 2004 em Madri.

Segundo informou, nesta terça-feira, a porta-voz da Procuradoria federal, Lieve Pellens, a defesa de Belhadj argumentará seguramente que o detido deve permanecer na Bélgica para enfrentar outro processo por terrorismo.

A Câmara de Instrução de Bruxelas aprovou no último dia 18 a extradição para a Espanha de Belhadj e confirmou desta maneira a aplicação do mandato europeu de detenção e entrega (euro-ordem).

Pellens explicou que tem a impressão de que Belhadj quer evitar sua extradição à Espanha e que sua advogada invocará todos os procedimentos possíveis para conseguir isso.

Apesar de a porta-voz admitir que é muito improvável que a Câmara de Acusação considere tão importante a presença do marroquino na Bélgica para o curso da investigação belga, já que Belhadj foi posto em liberdade neste sumário em junho passado, destacou que "não se pode excluir esta possibilidade".

Pellens acrescentou que no caso de a Câmara de Acusação confirmar a extradição (em um prazo máximo de quinze dias depois da realização da vista), a defesa ainda pode recorrer dessa decisão ante o Supremo.

Caso a Câmara de Acusação ratifique a decisão da sala de Instrução e a defesa não apresente recurso ante o Supremo, seria aberto um prazo de dez dias no qual as autoridades judiciais belgas e espanholas deverão fixar uma data para a extradição.

Belhadj, nascido em 27 de maio de 1976 em Touzine (Marrocos), foi detido há um mês em Bruxelas sob a solicitação das autoridades judiciais espanholas, que o vinculam aos atentados terroristas de 11-3 em Madri.

O marroquino também está envolvido em uma investigação por terrorismo aberta na Bélgica, depois da desarticulação em março de 2004 de uma suposta célula do GICM (Grupo Islâmico Combatente Marroquino), quando foi detido embora tenha sido libertado três meses mais tarde.

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