Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Justiça argentina investiga dinheiro em banheiro de ministra

Quarta, 04 de Julho de 2007 às 18:47, por: CdB

A justiça argentina abriu investigação para saber por que a ministra da Economia do país, Felisa Miceli, deixou uma bolsa com dinheiro no banheiro de seu gabinete, em Buenos Aires.

O porta-voz da ministra, Silvio Robles, disse à imprensa argentina que ela é mesmo a dona do dinheiro, que seria usado numa “transação imobiliária que não foi concretizada”, mas discordou da cifra divulgada.

Segundo Robles, em vez dos US$ 241 mil – divididos em dólares, euros e pesos – seriam cerca de US$ 65 mil.

Nesta quarta-feira, o promotor federal de justiça Guillermo Marijuán confirmou que realiza a investigação e que pediu dados sobre o caso à Polícia Federal e ao Ministério da Economia. Um dos objetivos, afirma-se no Tribunal de Justiça, é saber se a ministra cometeu “evasão de impostos” ou “outra irregularidade”.

Segundo registro da Brigada de Explosivos do Corpo de Bombeiros da Polícia Federal da Argentina, em uma inspeção de rotina no dia 5 de junho, os bombeiros encontraram uma bolsa com dinheiro no banheiro da ministra.

A notícia foi revelada, dias mais tarde, pelo jornal dominical Perfil e agora ganha destaque em quase toda a imprensa argentina – incluindo emissoras de rádio e de televisão.

Ao mesmo tempo, a Promotoria Nacional de Investigações Administrativas, que investiga, de acordo com sua página na internet, “casos de corrupção e irregularidades administrativas” dos que ocupam cargos públicos, também começou a averiguar o caso.

Esta semana, o advogado Miguel Bootello apresentou uma denúncia penal contra a ministra, alegando que ela poderia ter cometido irregularidades como “enriquecimento ilícito, falta de obediência à função pública e evasão de impostos”.

Diante da acusação, que poderia ter sido apresentada por qualquer advogado, a Justiça Federal decidiu abrir a investigação sobre a bolsa de dinheiro.

Os defensores da ministra já foram convocados para dar explicações sobre o fato. O promotor pede, por exemplo, o comprovante da “transação imobiliária” que ela quase teria realizado.

Nas últimas horas, Miceli não fez declarações sobre a denúncia que a envolve. Na segunda-feira, na sua última aparição pública, ela evitou as perguntas dos jornalistas ao limitar-se a afirmar que uma petroleira tinha sido multada por falta de combustíveis no país.

Miceli ocupa o cargo de ministra da Economia desde dezembro de 2005, quando substituiu Roberto Lavagna, a quem assessorou. Lavagna é hoje opositor ao governo do presidente Néstor Kirchner.
 
 

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