O juiz Luiz Roberto Ayoub, titular da 8ª Vara Empresarial do Rio, aceitou a proposta de compra da associação dos Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) de R$ 1 bilhão, feita no leilão realizado no último dia 8, desde que se comprove que a TGV pode atender às condições do edital. Ayoub concedeu prazo até às 12 horas da próxima quarta-feira para que os proponentes apresentem a comprovação.
Consultor econômico da TGV, Paulo Rabello de Castro disse que, após o pregão foi feita uma audiência judicial na qual ele mesmo esclareceu detalhes da proposta.
- Mas qualquer esclarecimento solicitado pelo juiz vai ser prestado. Se alguma coisa está obscura, vai ficar clara - ponderou.
Ele nega que a proposta dos trabalhadores inclui apenas uma parcela em dinheiro vivo, de R$ 285 milhões.
- É tudo em dinheiro vivo, à vista ou quase à vista - disse.
Castro informou ainda que a parcela inicial de R$ 225 milhões de dívidas da Varig com os empregados (créditos concursais) também é para o pagamento à vista:
- Na hora em que eles são trocados, é como se fosse dinheiro vivo.
Segundo Castro, o mesmo ocorre em relação aos R$ 500 milhões em debêntures (títulos).
- Na realidade, a questão das moedas é algo imaterial. O lance ofertado está de acordo com o que foi solicitado no edital - acrescentou.
Nova oferta
Caso a proposta da TGV seja recusada em juízo, há ainda a possibilidade da venda de ativos da Varig, admitiu Ayub em entrevista. Ele já teria recebido consultas neste sentido. Presidente da TAP, Fernando Pinto foi autor nesta segunda-feira, de uma nova proposta de compra da empresa ao juiz Luiz Roberto Ayoub, encarregado do processo de recuperação judicial da Varig, segundo uma fonte ligada ao Tribunal de Justiça. O valor da oferta ainda não foi divulgado, embora seria uma aquisição em consórcio com a Air Canada e o fundo de investimento norte-americano Brookfield.
Porta-voz da companhia portuguesa, em Lisboa, concordou que a "TAP não tem comentários a fazer mas continua a acompanhar o processo da Varig". A TAP é uma das empresas interessadas em assumir as operações da Varig, como já demonstrou em propostas anteriores. A estatal portuguesa adquiriu no final do ano passado, por meio da AeroLB, a VEM e a VarigLog, antigas subsidiárias de manutenção e logística da Varig, respectivamente. Depois, a AeroLB vendeu a VarigLog para a Volo do Brasil.
A AeroLB, empresa de propósito específico formada pela TAP para a compra da VEM, visitou o "data room" (sala de informações) da Varig montado antes do leilão de venda da empresa brasileira, na semana passada. Apenas a NV Participações, que representa os Trabalhadores do Grupo Varig, porém, apresentou proposta de compra.