Tudo indica que o chamado mercado - e a mídia, com raras exceções, o acompanha - quer sangue. Quer 0,75% de aumento na taxa Selic de juros, de uma vez na reunião do Comitê de Política Monetária COPOM) do Banco Central (BC) depois de amanhã. Ou então, que este aumento venha parcelado em três vezes de 0,5% e mais uma de 0,25% para a Selic chegar ao final do ano acima de 12,5%.
Querem um aumento na Selic este ano de 3,75 pontos acima acima dos 8,75% da pós-crise mundial a que ela chegou a ser reduzida. Calculam que só com esta alta poderão trazer o crescimento de nosso PIB para 3,6%, ainda assim 0,1% acima dos 3,5% sonhados pelos teóricos do tucanato, começando por Mendonca de Barros - o Luis Carlos - que foi ministro das Comunicações do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Como vemos, todas as justificativas deles, tudo é para impedir que a "inflação suba". Mesmo que, no nosso caso, ela seja importada da crise mundial, da sub-valorização dirigida do câmbio nos Estados Unidos e na China, da crise no Oriente Médio e do efeito de surtos sazonais no Brasil.
O que lemos agora na imprensa, a partir da opinião de consultores, é que os R$ 50 bi cortados do Orçamento de 2011 e a contenção do crédito feita pelo BC não serviram para nada - nadinha, não contam, não tem influência na inflação ou na política monetária. Ou seja, só nos restam o caos e o dilúvio.
A não ser que aumentemos os juros e reduzamos o crescimento do paíis aos ridículos 3,5% que eles querem. Aí, aleluia, o mercado agradece. Lembrando a famosa conversa do Garrincha com o técnico Vicente Feola da seleção brasileira em 1962, só falta combinar com os russos, não custa nada avisar.
Juros: só falta "combinar com os russos"
Segunda, 28 de Fevereiro de 2011 às 04:05, por: CdB