Ministro da Fazenda, Guido Mantega sinalizou que o governo reduzirá a remuneração da poupança. Segundo ele, como a Selic tende a cair para um patamar próximo ao da taxa de remuneração da poupança, o governo quer evitar o risco de ocorrer uma migração de grandes investidores e investimentos em renda fixa para a poupança. Mantega se negou a detalhar as medidas que estão em estudo pelo seu ministério e pelo Banco Central.
– Vamos fazer um ajuste, mas o presidente já determinou que a gente garanta todos os pequenos investidores, que são 95% da caderneta – afirmou Mantega a jornalistas depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Quando perguntado se a rentabilidade da poupança seria mantida, o ministro disse que "é claro que não pode ser a mesma, porque senão não muda nada".
O ministro disse que atualmente o governo enfrenta um dilema, pois, diferentemente do que ocorre com os juros, a remuneração da poupança é a "única taxa" que não tem caído no país.
– Chega uma hora que nós temos que nos acostumar no Brasil com taxas de juros menores. O mundo todo hoje está vivendo com taxas de juros menores – comentou.
Sem previsão
Segundo o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ainda não há previsão de quando será adotada medida para mudar a remuneração de cadernetas de poupança. O governo estuda alterações porque, com a redução da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os fundos de investimentos, a poupança tem se tornado mais atrativa.
– Vamos aguardar o que pode ser visualizado como melhor solução para a estrutura da economia do Brasil e para defender o interesse dos poupadores e, por outro lado, manter o equilíbrio do sistema – disse Meirelles.
Questionado se uma mudança na remuneração da poupança afetaria a definição do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, ele afirmou que o colegiado “sempre tomará sua decisão baseada nos dados disponíveis da época”. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 28 e 29 deste mês.
O presidente do Banco Central deu as declarações depois de ser condecorado com a Ordem do Mérito Militar, em comemoração ao Dia do Exército, no próximo dia 19.