Os juros exigidos pelos investidores para comprarem títulos da dívida pública grega, em vez da alemã, esta última considerada de referência para a Europa, estão disparando no mercado futuro do continente, contrariando a tendência de declínio verificada desde o fim de abril, quando atingiram um valor recorde. O movimento nesta terça-feira foi marcado pela nova onda de receios face ao futuro das contas públicas da Grécia e do receio de contágio para outros países da zona euro, com Portugal à frente. Os investidores ainda estão céticos quanto ao pacote de ajuda da Zona Euro para a Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros para os próximos três anos.
O spread das Obrigações do Tesouro a 10 anos também saltou para os 262,5 pontos base, mais 0,55% do que os juros praticados na véspera. Na última quarta-feira, dia 28, os juros das Obrigações a 10 anos haviam chegado aos 293,4 pontos base. Também a rentabilidade dos títulos da dívida soberana, com vencimento para 10 anos subia pela manhã, com as yield a 5,624 pontos base, mais 0,50% do que no fechamento desta segunda-feira.
Manifestação
Cerca de 200 militantes comunistas ocuparam na manhã desta terça-feira a Acrópole de Atenas para protestar contra o plano de austeridade imposto à Grécia. "Povos da Europa, rebelai-vos", afirmava uma faixa escrita em grego e inglês e exibida pelos manifestantes, que também gritaram frases de protesto. A polícia não soube explicar como os comunistas entraram no local, que fica fechado ao público durante a manhã e, em tese, tem uma rigorosa vigilância.
Para salvar à Grécia da falência, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os países da zona do euro anunciaram no domingo o desembolso bilionário nos próximos três anos. Em troca, o governo de Papandreou deverá implementar um duro programa de austeridade, que inclui a redução de salários dos funcionários e o aumento de vários impostos.