Os juros somente serão reduzidos depois que a inflação voltar a patamares próximos ao centro da meta, estabelecida pelo governo, que é de 4,5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista na manhã desta quarta-feira.
- Até lá, não acredito na redução dos juros - disse Mantega, ressaltando que o Banco Central é autônomo para definir a política monetária.
Segundo ele, neste ano a inflação deve ficar entre 6% e 6,5%. A meta de inflação fixada pelo governo para este ano e o próximo é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Mantega disse também que a taxa de juros não tem influência no crescimento da economia, já que o setor produtivo recorre à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) hoje 6,25%.
- O empresário que quer fazer investimento tem dinheiro barato - afirmou.
Ele citou outros fatores importantes para financiar o setor produtivo, como a política industrial e o mercado de capitais, que têm regras sólidas.
Leasing
Ainda segundo o ministro, o governo não estuda qualquer tipo de medida para incluir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de leasing de automóveis. Na semana passada, começou a circular em Brasília a informação de que o governo estudava taxar o leasing na aquisição de automóveis para conter o consumo e, por conseqüência, reduzir a inflação. Hoje o ministro descartou qualquer medida nesse sentido.
- É claro que, se nós julgarmos necessário para combater a inflação, tomaremos as medidas que forem adequados para o momento. Mas não (há) em curso, no forno do Ministério da Fazenda, nenhuma medida nesse sentido - afirmou.
O leasing é uma modalidade de contrato que associa aluguel e venda à prestação, por meio de uma técnica especial de financiamento. Atulamente, boa parte das compras de automóveis tem sido feita nessa modalidade.
Riqueza do pré-sal
Na entrevista, o ministro da Fazenda garantiu que o próximo governo receberá contas externas melhores do que estão atualmente. Segundo afirmou, até setembro o governo vai decidir sobre a exploração do petróleo descoberto no fundo do mar, na chamada camada pré-sal, que ele considera um legado para o próximo presidente da República..
- Eu até gostaria de ser esse felizardo que vai receber toda essa riqueza mineral - afirmou.
De acordo com o ministro a riqueza com a exploração no pré-sal será de US$ 200 a US$ 500 bilhões, “que poderão ser utilizados pelo próximo governo em benefício da população brasileira”. Mantega afirmou que parte desses recursos podem ir para a educação, para honrar compromissos do país e para compor o Fundo Soberano.Ele disse também que o país passará a ser um dos grandes exportadores de petróleo, com a exploração do pré-sal.
O ministro lembrou que as exportações triplicaram do início do governo até agora. Ele disse que no final do governo anterior as exportações chegavam a US$ 60 bilhões e neste ano devem ficar em US$ 190 bilhões.
- O Brasil já teve déficit comercial - disse, lembrando que agora o país continuará a ter exportações maiores do que as importações.
Mantega também destacou o volume de reservas internacionais, que atualmente ultrapassa US$ 200 bilhões. Segundo ele, o governo Lula recebeu o país com reservas de US$ 30 bilhões, sendo que US$ 15 bilhões eram do Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com dados do Banco Central, o resultado negativo das transações correntes (todas as operações do Brasil com o exterior) no primeiro semestre é o maior da série histórica, iniciada em 1947. O déficit foi de US$ 17,402 bilhões. Em junho o resultado negativo de US$ 2,596 bilhões é o mais elevado desde o mesmo mês de 1999 (US$ 2,926 bilhões).
Os motivos principais são o aumento das remessas de recursos para o exterior e a redução do superávit comercial (exportações menos importações). Enquanto as exportações brasileiras crescem a 24%, as importações tiveram alta de 51%.