Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Juros cairão quando inflação chegar ao centro da meta, diz Mantega

Quarta, 20 de Agosto de 2008 às 08:14, por: CdB

Os juros somente serão reduzidos depois que a inflação voltar a patamares próximos ao centro da meta, estabelecida pelo governo, que é de 4,5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista na manhã desta quarta-feira.

- Até lá, não acredito na redução dos juros - disse Mantega, ressaltando que o Banco Central é autônomo para definir a política monetária.

Segundo ele, neste ano a inflação deve ficar entre 6% e 6,5%. A meta de inflação fixada pelo governo para este ano e o próximo é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Mantega disse também que a taxa de juros não tem influência no crescimento da economia, já que o setor produtivo recorre à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) hoje 6,25%.

- O empresário que quer fazer investimento tem dinheiro barato - afirmou.

Ele citou outros fatores importantes para financiar o setor produtivo, como a política industrial e o mercado de capitais, que têm regras sólidas.

Leasing

Ainda segundo o ministro, o governo não estuda qualquer tipo de medida para incluir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de leasing de automóveis. Na semana passada, começou a circular em Brasília a informação de que o governo estudava taxar o leasing na aquisição de automóveis para conter o consumo e, por conseqüência, reduzir a inflação. Hoje o ministro descartou qualquer medida nesse sentido.

- É claro que, se nós julgarmos necessário para combater a inflação, tomaremos as medidas que forem adequados para o momento. Mas não (há) em curso, no forno do Ministério da Fazenda, nenhuma medida nesse sentido - afirmou.

O leasing é uma modalidade de contrato que associa aluguel e venda à prestação, por meio de uma técnica especial de financiamento. Atulamente, boa parte das compras de automóveis tem sido feita nessa modalidade.

Riqueza do pré-sal

Na entrevista, o ministro da Fazenda garantiu que o próximo governo receberá contas externas melhores do que estão atualmente. Segundo afirmou, até setembro o governo vai decidir sobre a exploração do petróleo descoberto no fundo do mar, na chamada camada pré-sal, que ele considera um legado para o próximo presidente da República..

- Eu até gostaria de ser esse felizardo que vai receber toda essa riqueza mineral - afirmou.

De acordo com o ministro a riqueza com a exploração no pré-sal será de US$ 200 a US$ 500 bilhões, “que poderão ser utilizados pelo próximo governo em benefício da população brasileira”. Mantega afirmou que parte desses recursos podem ir para a educação,  para honrar compromissos do país e para compor o Fundo Soberano.Ele disse também que o país passará a ser um dos grandes exportadores de petróleo, com a exploração do pré-sal.

O ministro lembrou que as exportações triplicaram do início do governo até agora. Ele disse que no final do governo anterior as exportações chegavam a US$ 60 bilhões e neste ano devem ficar em US$ 190 bilhões.

- O Brasil já teve déficit comercial - disse, lembrando que agora o país continuará a ter exportações maiores do que as importações.

Mantega também destacou o volume de reservas internacionais, que atualmente ultrapassa US$ 200 bilhões. Segundo ele, o governo Lula recebeu o país com reservas de US$ 30 bilhões, sendo que US$ 15 bilhões eram do Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com dados do Banco Central, o resultado negativo das transações correntes (todas as operações do Brasil com o exterior) no primeiro semestre é o maior da série histórica, iniciada em 1947. O déficit foi de US$ 17,402 bilhões. Em junho o resultado negativo de US$ 2,596 bilhões é o mais elevado desde o mesmo mês de 1999 (US$ 2,926 bilhões).

Os motivos  principais são o aumento das remessas de recursos para o exterior e a redução do superávit comercial (exportações menos importações). Enquanto as exportações brasileiras crescem a 24%, as importações tiveram alta de 51%.

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