Juro bancário: medidas do BC penalizam mais empresa do que pessoa físicaNo mesmo dia em que governo lançou programa de apoio fiscal ao microempresariado, pesquisa indica que medidas do Banco Central para conter a inflação, como as seguidas altas da Selic, têm repercutido mais sobre as taxas de juro cobrada das empresas do que das pessoas físicas.
Da Redação
SÃO PAULO – As taxas de juros praticadas pelos bancos em operações de crédito voltaram a ser elevadas em julho. As maiores altas atingiram o crédito para pessoa jurídica, como empréstimo para capital de giro e desconto de duplicatas. Linhas para pessoa física, como cheque especial, crediário e empréstimo pessoal também subiram. A exceção foi o cartão de crédito, cuja taxa média manteve-se estável.
A escalada dos juros responde às medidas que o Banco Central promove desde dezembro do ano passado para reduzir a demanda interna e conter a inflação. Nos sete meses deste ano, os bancos não elevaram os juros apenas em fevereiro e junho, revela a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), responsável pela pesquisa mensal.
Entre as medidas tomadas pelo BC para conter o crédito, destaca-se o aumento acumulado da taxa Selic em 1,75 ponto percentual, de 10,75% em janeiro para 12,50% em julho. Além disso, o banco elevou os depósitos compulsórios, a alíquota da IOF para captações externas, gasto com cartão no exterior e operações de crédito, e o percentual mínimo de liquidação da fatura mensal do cartão.
No mesmo período de elevação da Selic, a taxa de juros média para pessoa física apresentou alta de 1,24 pontos percentuais (mais 1,03%), de 119,97% ao ano, em dezembro, para 121,21% ao ano, em julho, e os juros para pessoa jurídica tiveram reajuste de 4,58 pontos percentuais (mais 8,11%), de 56,45% ao ano, em dezembro, para 61,03% ao ano, em julho. Grosso modo, as medidas do Banco Central têm penalizado mais as empresas do que as pessoas físicas.
Em julho
No caso de pessoas jurídicas, a taxa de juros média mensal subiu 2,27% no mês, de 59,37% ao ano, em junho, para 61,03% ao ano, em julho. É a maior taxa média desde outubro de 2009. O juro cobrado para desconto de duplicata cresceu 1,27%, de 44,92% ao ano para 45,59%, e o crédito para capital de giro subiu 0,99%, de 43,24% ao ano para 43,74%.
Entre pessoas físicas, a taxa média avançou 0,59%, de 120,22% ao ano 121,21%. A maior elevação ocorreu no caso do cheque especial, cujos juros subiram 2,10%, de 154,63% ao ano para 159,48%. É o maior valor cobrado dos consumidores desde fevereiro de 2005.
Ficaram mais altos também o CDC de financiamento de automóveis, com alta de 2,1%, para 159,48% ao ano, o crediário, que cresceu 0,71%, para 94,49% ao ano, e o empréstimo pessoal, com avanço de 0,86%, para 72,93% ao ano. A taxa de juro do cartão de crédito manteve-se inalterada em 10,69% ao mês ou 238,30% anuais, mas não há motivos para celebrar, já que é o maior valor desde junho de 2000.
Segundo expectativa da Anefac, o Banco Central tende a manter sua política de elevação das taxas de juro, a fim de trazer a inflação para dentro da meta. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,16% em julho, acumulando 6,87% de alta em 12 meses – acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%. O centro da meta é de 4,5% em 2011, com tolerância de dois pontos a mais ou a menos.