Rio de Janeiro, 29 de Janeiro de 2026

Juro alto provoca queda do dólar, avalia economista

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo atribui a recente elevação do real frente ao dólar, entre outros fatores, à arbitragem de juros - em que os investidores pegam empréstimos em outros países, onde as taxas são mais baixas, e aplicam no Brasil, que possui a mais alta taxa de juros do mundo. (Leia Mais)

Sábado, 09 de Junho de 2007 às 10:24, por: CdB

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo atribui a recente elevação do real frente ao dólar, entre outros fatores, à arbitragem de juros - em que os investidores pegam empréstimos em outros países, onde as taxas são mais baixas, e aplicam no Brasil, que possui a mais alta taxa de juros do mundo.

Em entrevista, ele afirmou que a busca por essa diferença entre o juro que o investidor paga pelo empréstimo feito lá fora e o que receberá  por aplicar no Brasil e mais a elevação dos preços de algumas commodities exportadas pelo Brasil, como o aço, são os responsáveis pela entrada de dólares no país, o que provoca o enfraquecimento da moeda americana.

Para o economista, desde 2002 a moeda brasileira é a que mais vem se valorizando. E que essa valorização se intensificou a partir de 2006 e, mais firmemente, em 2007. Isso é reflexo, segundo Belluzzo, da taxa de juros.

- A taxa de juros brasileira estar fora do lugar. Está excepcionalmente elevada - disse.

Mesmo com a última redução em 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, Belluzzo defende reduções maiores.

- Há uma distorção imposta pela política monetária que faz com que as empresas sejam obrigadas a fechar suas linhas de produção, até encerrar suas atividades. Muitas delas, sobretudo no setor manufatureiro, também são obrigadas a disfarçar sua situação importando mercadorias, colocando sua marca e vendendo no mercado interno.

Belluzzo enfatizou que "tem muita gente que nega a existência desse fenômeno [arbitragem], mas é indiscutível que a associação entre os dois foi importante para determinar a valorização do real". E lembrou que até mesmo os exportadores brasileiros, que reclamam da queda do dólar, contribuem para isso, quando também eles realizam a arbitragem.

- Entre o movimento de exportação efetivo de embarques e o movimento das antecipações do contrato de câmbio, ou seja, do financiamento das exportações, há um descompasso muito forte que mostra que os próprios exportadores estão usando essa arbitragem - comentou.

Os exportadores, explicou, aproveitam a baixa cotação do dólar para lançar mão, antecipadamente, dos empréstimos que financiarão suas vendas - por meio, por exemplo do Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC). Eles aplicam esse empréstimo, segundo o economista, em fundos de renda fixa:

- Estão fazendo uma operação financeira quase que disfarçada em operação comercial.

Em todo o mundo, lembrou Belluzzo, o dólar está perdendo força. E isso se deve "a um aumento muito forte da liquidez mundial", ou seja, a grande circulação de moeda estrangeira pelos países, em especial aqueles em desenvolvimento.

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