O popstar Michael Jackson explorou sexualmente um adolescente que sofria de câncer, em seu rancho de Neverland, com pornografia e conversas sobre masturbação:
- Em lugar de conversas sobre Peter Pan e leitura de livros infantis na hora de dormir - disse um promotor na segunda-feira.
Em suas declarações iniciais no julgamento de Jackson por abuso sexual infantil, o promotor Tom Sneddon, do Condado de Santa Barbara, disse que o cantor convidou o menino de 13 anos para seu rancho Neverland Valley, e então o manipulou "através de comportamento sexual estranho".
- Na vida privada de Michael Jackson, em lugar de livros infantis na hora de dormir e conversas sobre Peter Pan ... ele falava a eles sobre masturbação - disse Sneddon ao júri.
Jackson, 46 anos, é acusado de abusar sexualmente do menino, a quem seus médicos tinham dito que estaria morrendo, no rancho do cantor no litoral central da Califórnia, perto de Santa Maria.
Ele é acusado também de ter oferecido ao garoto vinho disfarçado em latas de refrigerante para seduzi-lo e de ter conspirado para cometer sequestro infantil, extorsão e cárcere privado.
Jackson se declarou inocente. Se for considerado culpado das dez acusações que lhe são feitas, enfrentará pena de prisão de até 20 anos. A expectativa é que os advogados de defesa digam aos jurados que Jackson foi incriminado pela mãe de seu jovem acusador, que estaria interessada em dinheiro.
Michael Jackson chegou ao tribunal para ouvir as declarações iniciais usando terno escuro com braçadeira vermelha e ladeado por sua mãe e seu irmão Jermaine. Mais de 40 fãs conseguiram lugares para acompanhar os procedimentos no recinto lotado do tribunal. A previsão é que o julgamento será disputado arduamente e se prolongará por seis meses.
O julgamento vai proporcionar uma visão rara do estilo de vida bizarro de Jackson, cujos advogados prometeram convocar como testemunhas algumas das pessoas mais famosas dos Estados Unidos, incluindo o jogador de basquete Kobe Bryant, o apresentador de televisão Jay Leno, do Tonight Show, e a atriz Elizabeth Taylor.
Tom Sneddon disse que um controverso documentário de TV britânico feito em 2003 pelo jornalista Martin Bashir, no qual Jackson defendeu seu hábito de dividir sua cama com garotos, criou um pesadelo de relações públicas para o cantor.
- No dia 3 de fevereiro de 2003, o mundo de Michael Jackson foi abalado - disse Sneddon.
- Este caso diz respeito a uma conspiração, diz respeito ao desastre de trem provocado pelo documentário de Bashir. É também o caso da exploração feita por Michael Jackson de um garoto de 13 anos sobrevivente de câncer - disse o promotor ao júri.
Sneddon disse que o garoto que acusou Jackson tinha sido aconselhado a "preparar-se para seu funeral", depois de ser submetido a cirurgia para a retirada de um tumor de seu abdome. Na operação, também foram retirados sua vesícula biliar e um rim.
Em 2000, o menino viu atendido seu desejo de conhecer um de seus ídolos, Michael Jackson, e foi convidado a visitar Neverland pela primeira vez e passar a noite lá.
Sneddon disse que, enquanto o menino estava no rancho, Jackson lhe mostrou revistas e sites pornográficos. O filho pequeno de Jackson, Prince Michael, também teria estado na sala no mesmo momento.
Michael Jackson e Tom Sneddon mantêm uma disputa desde meados dos anos 1990, quando outro garoto acusou o artista de abuso sexual infantil. Jackson e a família do menino resolveram o caso através de acordo extrajudicial, e não chegaram a ser registradas acusações criminais.
O juiz da Corte Superior, Rodney Melville, ainda não decidiu se os promotores poderão apresentar evidências sobre esse caso anterior durante o julgamento.
Foi escolhido para decidir a sorte de Jackson um júri de oito mulheres e quatro homens. Uma das juradas tem uma irmã que foi violentada aos 12 anos de idade
Júri ouve que Michael Jackson explorou menino adolescente
Terça, 01 de Março de 2005 às 13:18, por: CdB