O regime militar de Mianmar permitiu nesta quarta-feira que cerca de 30 diplomatas e alguns jornalistas locais assistissem a uma audiência do julgamento da líder oposicionista Aung San Suu Kyi, numa aparente tentativa de acalmar os protestos internacionais contra as novas acusações à ganhadora do Nobel da Paz.
Suu Kyi, de 63 anos, parecia saudável e confiante nos 45 minutos da audiência, no terceiro dia do julgamento, dentro da Prisão Central Insein, em Yangon.
Ela pode ser condenada a até cinco anos de prisão se a Justiça entender que ela violou os termos da sua prisão domiciliar.
– Muito obrigado por virem e por seu apoio – disse ela a diplomatas depois da audiência.
– Espero encontrá-los em melhores dias – acrescentou, sorridente, antes de ser escoltada por policiais femininas para fora do tribunal.
Ainda na quarta-feira, ela deveria receber diplomatas de Rússia, Tailândia e Cingapura. Não se sabe se a audiência de quinta-feira também será aberta.
A ativista foi acusada de violar os termos da prisão domiciliar porque um norte-americano teria invadido o terreno da sua residência, sem ser convidado, há duas semanas. O caso provocou indignação no Ocidente, levando a ameaças de novas sanções contra o regime.
Mesmo os vizinhos do país, normalmente condescendentes, fizeram uma rara reprimenda aos generais de Mianmar. A Associação de Nações do Sudeste Asiático, deixando de lado seu mantra da "não-interferência", disse que o julgamento põe em xeque a "honra e credibilidade" do país, que é membro do bloco.
O gesto de transparência na quarta-feira não deve atenuar as críticas ao julgamento. Muitos consideram que as acusações foram forjadas para manter a carismática Suu Kyi fora de circulação até as eleições marcadas para 2010. A prisão domiciliar dela deveria expirar em 27 de maio, após seis anos.
Em 1990, o partido dela, a Liga Nacional pela Democracia, venceu uma eleição por ampla maioria, mas foi impedido de ascender ao poder pelos militares, que há mais de quatro décadas dominam o país.
Nos últimos 19 anos, Suu Kyi passou mais de 13 detida, na maior parte sob prisão domiciliar. Sua correspondência é interceptada, e visitas são restringidas.
Apesar da intensa presença policial em torno da casa dela, as autoridades locais dizem que o norte-americano John Yettaw, de 53 anos, conseguiu se infiltrar na casa em 3 de maio, usando nadadeiras improvisadas para atravessar o lago Inya, à margem do qual fica a residência de Suu Kyi.
Além de Suu Kyi, duas assistentes que vivem na casa foram indiciadas na quinta-feira passada por violar a lei que protege o Estado "dos que desejam causar atos subversivos." Elas negaram qualquer crime.
Junta de Mianmar começa julgamento de Nobel da Paz Suu Kyi
Quarta, 20 de Maio de 2009 às 07:47, por: CdB