Considerado inimigo público número 1, Marc Dutroux e três cúmplices começaram a ser jugados, nesta segunda-feira, por raptar, abusar e matar adolescentes nos meados dos anos 90, crimes que chocaram o país - principalmente pela inépcia do trabalho policial contra a perversão dos atos.
O primeiro dia do julgamento de Dutroux, de 47 anos, sua ex-mulher e dois comparsas foi gasto na seleção de 12 jurados em meio de medidas rígidas de segurança e intensa atenção da mídia belga e internacional.
Numa carta para a rede de televisão VTM, Dutroux declarou um dia antes que é apenas uma parte de uma rede criminosa, com tentáculos na aparelho judiciário belga. E apontou um outro réu, Michel Nihul, um advogado de 62 anos de Bruxelas, como peça-chave dessa quadrilha - um reforço às suposições de quem o considera parte de uma grande organização.
Essa afirmação aumentou a expectativa que cerca o julgamento e surpreendeu seus advogados - Ronny Baudwyn e Martine Van Praet. "Ele não deveria ter dito isso para a imprensa", lamentou Baudwyn. "Essa atitude vai ser encarada como mais uma mentira deslavada", emendou Martine.
Dutroux e seus cúmplices vão responder pelo seqüestro de seis pessoas - entre as quais cinco menores. Quatro morreram em conseqüência de violações, torturas e maus tratos. Duas sobreviventes, Sabine Dardenne e Laeticia Delhez, deverão narrar para o júri as cenas de horror por que passaram.
A responsabilidade pelos horrores, Dutroux joga sobre um de seus amigos, um andarilho francês, Bernard Weinstein, que não poderá testemunhar. Ele o matou com as próprias mãos. Primeiro, cortou-lhe os testículos; depois, o enterrou vivo.