Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Julgamento do assassino de Tim Lopes recomeça no Rio

Quarta, 15 de Junho de 2005 às 07:24, por: CdB

O julgamento do traficante Cláudio Orlando Nascimento, conhecido como Ratinho, um dos acusados da morte do jornalista Tim Lopes, será retomado, na manhã desta quarta-feira. O julgamento foi interrompido, pouco depois das 22h de terça-feira. O processo deve ter uma duração menor do que os três dias previstos inicialmente. Foram levadas camas para os jurados, que ficam incomunicáveis até o final do julgamento. A expectativa é a de que o julgamento termine na noite desta quarta.

O julgamento começou com atraso, logo depois foi o interrogatório de Ratinho, que se declarou inocente e usou o direito de ficar calado. A defesa apresentou fitas de áudio e vídeo, com cerca de sete horas, com reportagens feitas, na época da morte de Tim Lopes. Os promotores dizem que essa é uma estratégia do advogado de defesa, José Maurício Neville, que teria como objetivo cansar os jurados. Neville, que também defendeu Elias Maluco, demonstrou usar a mesma estratégia do julgamento anterior. Ele dispensou as cinco testemunhas de defesa e insistiu na falta de provas contra o cliente. 

-  Vamos ver o que o Ministério Público tem de tão importante para essa defesa de posicionar. Entende a defesa que, agora, será feita justiça - declarou Neville.

Ratinho responde por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha, e pode pegar até 39 anos de cadeia. 

-  São basicamente as mesmas provas que foram aprovadas contra o acusado Elias. O Ministério Público vai pedir que ele seja condenado em todos esses crimes - garante a promotora Viviane Tavares Henriques.

O julgamento acontece depois de 20 dias da condenação do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, a 28 anos e seis meses de prisão, pela morte do jornalista. Segundo a polícia, os depoimentos dos bandidos na época do crime mostram que Ratinho foi o que mais incentivou os cúmplices a torturar e executar Tim Lopes. 

-  Quando viu o Tim lá na Vila Cruzeiro, foi ele quem o rendeu, torturou e levou ao Elias para pedir permissão para terminar o assassinato - explica a Inspetora da Polícia Civil, Marina Magessi. 

- Ele era o gerente daquela parte da grota. A imagem dele com o fuzil nas costas e aquele tipo de comando é uma prova irrefutável de que ele era um traficante da quadrilha - acrescenta.

O julgamento dos outros acusados ainda será marcado. Ainda vão sentar no banco dos réus Fernando Sátyro da Silva, Ângelo Ferreira da Silva, Elizeu Felício de Souza, Reinaldo Amaral de Jesus e Claudino dos Santos Coelho.

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