Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Julgamento de um porco!

Sábado, 21 de Maio de 2011 às 13:10, por: CdB

Por Gerhard Grube 21/05/2011 às 18:40

Muita gente quer que os animais sejam mais bem tratados. Com mais humanidade.

Realmente, é uma vergonha o que o ser humano faz com eles. Joguetes em suas mãos. Não leva em mínima consideração, que os animais possam sentir angústia e dor.

Na verdade "tratamento humano" significa tratar extremamente mal, com muita crueldade. Pois que os humanos, não são humanos. São desalmados!

Mas de certo modo tem que ser assim. O homem se alimenta de animais e vegetais. E sem matar, um e outro, morreria de fome.
Aparentemente os vegetais não sentem dor, pelo menos não se contorcem, não sangram, não gemem, não gritam. Não fogem não se rebelam, mais fácil matá-los e alimentar-se deles.

Mas o ser humano é onívoro, come de tudo. Se ficar apenas nos vegetais, é mais difícil manter-se em boa saúde. Não é impossível, muita gente é vegetariano desde pequeno.
E também tem gente que come exclusivamente carne. Como os esquimós (Inuit). Por causa do frio intenso, simplesmente não existem vegetais. E assim só se alimentam de carne (peixes, focas etc.). Comem algumas partes cruas, para aproveitar bem os valores nutritivos, vitaminas etc.
Resta saber se sendo carnívoro ou vegetariano vive-se mais ou menos, melhor ou pior, que os onívoros, maioria da humanidade.

O ser humano mata porque precisa comer, mas é cruel com os bichos. E está ficando cada vez pior. A produção industrial de alimentos derivados de animais é fábrica de sofrimento em série. De virar o estômago, para quem não está acostumado. Tortura semelhante a Guantánamo, simplesmente horrível.
Para incrementar o rendimento, ser mais lucrativo, aumenta-se a crueldade. Não são seres vivos, são commodities!
E aqueles que defendem os bichos, são olhados meio que como se fossem uns pirados. Pois o ser humano precisa se alimentar, e ponto. Não há o que discutir.

Somos materialistas, mais que isso, dinheiristas. E lucro não tem piedade, nem com gente. Quem dirá com os animais.
Um filme, um bom documentário, sobre como nos alimentamos atualmente, pode ser baixado da Internet: "Food Inc." ou "Comida S.A."

Os animais são utilitários. Estão aí para servir aos homens (a própria Bíblia afirma isso, já bem no início dela). Somos criatura de Deus, superiores, desprezamos os animais.

Mas nem sempre foi assim. Justamente na Idade Média, idade das trevas. Aos animais eram atribuídos sentimentos totalmente humanos. Inclusive características demoníacas (igualzinho aos seres humanos).
Eram tratados como se fosse gente. Até pelos tribunais!

Incrível, mas aconteceu de verdade, e não poucas vezes. Animais eram julgados como se fosse gente. Tribunal, acusação, advogado de defesa, juiz, sentença, condenação ou absolvição etc.
"Quanta ignorância", dirão muitos. Mas quem tem um bicho de estimação, sabe que eles não simples objetos. Têm sim sentimentos, assim como nós, medo, raiva, amor, alegria, afetividade etc. (tem gente que até conversa com as plantas).

E de certo modo tais julgamentos ainda existem. Digamos, um cão ataca e fere ou mata uma criança. Um juiz pode determinar que seja sacrificado, como se fosse um vira latas sem eira nem beira. O dono contesta, pega um advogado etc. Uma espécie de julgamento.
Vivemos entre vidro, concreto e aço inoxidável, e na frente da tela do computador. Afastamo-nos da vida animal e vegetal. E não percebemos mais o que esta acontecendo com eles.

No Brasil de 1713, no mosteiro franciscano em Piedade no Maranhão, um fato bem interessante:
A residência paroquial ruiu. A fundação de madeira tinha sido devorada pelos cupins. Os cupins foram intimados a comparecer perante o tribunal para justificar os seus atos. Claro que não apareceram. E normalmente aconteceria então, à revelia, a irrevogável condenação.
Mas, neste caso, os cupins contavam com um eficiente advogado de defesa. Que argumentou que cupins eram criaturas laboriosas e apenas estavam exercendo o direito divino de se alimentarem. E que os frades tinham contribuído para o desastre, pela inadequada manutenção do prédio, tentando por a culpa nos cupins.

O juiz deu sentença salomônica, para satisfação de gregos e baianos:
Os frades teriam que providenciar uma pilha de madeira para os cupins se banquetearem. E aos cupins foi dada a ordem de deixar o mosteiro. Devendo se alimentar exclusivamente da madeira reservada para eles.
 http://www.counterpunch.org/stclair05202011.html

Estranho ser humano. Coisas assim aconteceram apenas uns trezentos anos atrás. E se alguém questionasse tal idiotice na época, certamente seria contestado com mil e um argumentos convincentes, provando ser certíssimo o que estavam fazendo.

Como nós hoje. Estamos certíssimos de nossos atos, defendidos com unhas dentes palavreado e palavrões. Não temos dúvida nenhuma quanto à validade do que fazemos e afirmamos.
Mas, o que dirão as pessoas sobre nós, no futuro?
Será que atualmente não estamos apenas julgando e condenando (ou absolvendo) cupins?

Quanto ao título deste artigo (Julgamento de um porco!), não é de nenhum político, banqueiro ou PIG (Partido da Imprensa Golpista). É porco mesmo.
Um filme de 1993, que é para ser verdadeiro, e pode ser baixado da Internet:
"The Hour of the Pig" ou "The Advocate" ou em português, "Entre a Luz e as Trevas".

Tags:
Edições digital e impressa