Julgamento de policiais acusados de matar Juan entra no terceiro dia
O julgamento dos quatro policiais militares acusados de envolvimento na morte do menino Juan Moraes entra no terceiro dia. Nesta quarta-feira, os jurados vão ouvir os depoimentos das testemunhas de defesa, na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A vítima, na época com 11 anos, foi morta durante uma operação policial na Favela Danon
O julgamento dos quatro policiais militares acusados de envolvimento na morte do menino Juan Moraes entra no terceiro dia. Nesta quarta-feira, os jurados vão ouvir os depoimentos das testemunhas de defesa, na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A vítima, na época com 11 anos, foi morta durante uma operação policial na Favela Danon.
No dia 20 de junho de 2011, Juan vinha da casa de um amigo com o irmão, Wesley, de 14 anos, quando foi atingido durante um confronto na comunidade. O irmão e outro jovem, Wanderson, de 19 anos, também ficaram feridos. Os PMs Isaías Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva são acusados pelo crime. Eles alegam que houve uma troca de tiros com traficantes da região, que teriam ocultado o cadáver do menino. O Ministério Público nega esta versão. Segundo informações do portal G1.
A expectativa do juiz é terminar de ouvir as testemunhas do caso e começar o interrogatório dos réus. A previsão é que o julgamento termine na quinta-feira. Ao todo foram convocadas 35 testemunhas, de defesa e acusação.
Na terça-feira, no segundo dia do julgamento, o delegado Ricardo Barbosa, responsável pela conclusão das investigações do caso, disse que a perícia constatou que não houve confronto entre PMs e traficantes na comunidade Danon, em Nova Iguaçu. Na época do crime o delegado afirmou que o menino foi baleado por policiais militares. O delegado foi ouvido como testemunha de acusação.
O júri também ouviu o depoimento do delegado, Cláudio Nascimento, que iniciou as investigações. Ele disse não acreditar que os traficantes tenham ocultado o corpo do menino. O perito que examinou a ossada de Juan revelou no tribunal os detalhes da atuação do tráfico na comunidade.
O advogado do PM Rubens da Silva, Marco Antonio Gouvea de Faria, afirmou em sua defesa que o PM "não estava no local" no dia em que o menino foi morto. "Ele não estava lá. Foi inclusive dispensado da reconstituição do crime, pelo delegado. Ele não participou de nada. Foi citado que ele estava na viatura em Madureira. Nos autos não tem nada que diga que Rubens participou de algo".
O promotor de justiça Sérgio Ricardo Fonseca afirmou que vai confrontar a versão dos PMs. "A linha de acusação é confrontar a versão dos policiais de que teriam avistado traficantes armados que dispararam contra eles e eles revidaram", afirmou Fonseca. De acordo com o promotor, se condenados, os PMs podem pegar até 60 anos de prisão por se tratar de quatro crimes: duas tentativas de homicídio e dois homicídios duplamente qualificados.
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