O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da freira Dorothy Stang, será julgado separadamente dos outros três envolvidos no crime. A decisão foi do juiz Lucas do Carmo de Jesus, de Pacajás, jurisdição a que pertence Anapu, local do crime. Ao optar pelo desmembramento, o juiz busca não atrasar a fase de instrução processual de Rayfran Sales, o Fogoió, Clodoaldo Batista, o Eduardo, e Amair Cunha, que já estão presos em Belém. Todos eles foram indiciados por homicídio duplamente qualificado (penas de 12 a 30 anos de prisão). Com esta medida judicial, os prazos processuais de Bida, foragido, ficam "congelados".
- O fazendeiro será julgado assim que for encontrado ou se entregar, e não à revelia. Esta medida evita a possibilidade de o crime cometido por ele prescrever - afirmou o promotor Lauro Francisco Freitas Júnior.
Ainda segundo o juiz, os três detidos serão interrogados na próxima quarta-feira no presídio de Americano, a 70 km de Belém. A Justiça do Pará também vai publicar edital, nos próximos dias, informando que o fazendeiro é procurado pela Justiça. De acordo com o promotor Freitas Júnior, o julgamento dos três acusados de matar a irmã Dorothy a tiros serão julgados no início de agosto.
O Ministério Público, na denúncia encaminhada à Justiça, listou sete testemunhas de acusação. Uma delas presenciou o momento em que Dorothy foi abordada por Fogoió e Eduardo, segundo o Ministério Público. Outra testemunha de acusação é um funcionário da fazenda de Bida, que já foi desapropriada pelo governo federal. O funcionário teria acolhido os dois acusados momentos após o crime. As outras testemunhas arroladas no processo de acusação são agricultores e colonos das áreas de assentamento organizadas pela freira.
O promotor Freitas Júnior, no entanto, é contra a idéia de se federalizar o crime, como propôs o procurador-geral da República, Claudio Fonteles:
- Não há elementos, na minha opinião, para se federalizar este crime. Os autores já estão definidos.