Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Juíza diz que mulher não sabe se libertar da opressão

Quinta, 09 de Março de 2006 às 07:29, por: CdB

A "suposta proteção" que se dá à mulher, considerada "frágil e incapaz", é um dos fatores que atrasam o avanço da igualdade de gênero, na opinião da coordenadora do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim/RJ), Maria Lúcia Karam. A juíza aposentada afirmou que, geralmente, as mulheres não procuram se libertar das situações de opressão. Ela participou, nesta quinta-feira, de debate em cadeia nacional pela rede pública de TV.

Para a vereadora Sônia Francine (PT-SP), a idéia de que o homem pode punir a mulher com violência permeia a crença da polícia e a própria mulher não sabe como sair dessa situação.

- A mulher foi educada para achar que é ruim viver sem um homem, mas é pior sem ele - disse.

Para ela, se as mulheres chegarem efetivamente ao poder podem usá-lo da mesma forma discriminatória.

- A gente pode exercer os poderes de interferir nos processos do dia-a-dia se nos dispusermos a isso - ressaltou.

A secretária-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), Rosalía Arteaga, disse no estúdio da TV Nacional, em Brasília, que as fórmulas sacramentais de proteção à mulher, defendidas inclusive pela Igreja, podem piorar a relação de violência.

- A mulher não tem que assumir poses masculinas para assumir o poder - salientou. Segundo ela, não deve haver uma competição entre homens e mulheres, mas "um mundo mais equalitário que una qualidades masculinas e femininas".

Também no estúdio da TV Nacional, a coordenadora-geral do Comitê de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neide Castanha, afirmou que "o grande dilema é gerar capacidade de estender cidadania a todos". Segundo ela, todas as mulheres, independentemente de classe social, enfrentam dificuldades nos processos de criminalização da violência no Judiciário.

- Quanto ao acesso à Justiça, temos um grande caminho a percorrer - ressaltou.

A coordenadora concordou com o argumento de que não há uma luta entre gêneros e destacou que "a única perspectiva civilizatória é a luta pela igualdade". Os debates do Diálogo Brasil são mediados pelo jornalista Florestan Fernandes Júnior.

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