A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro, vai continuar ouvindo nesta sexta-feira os depoimentos dos presos na Operação Furacão, deflagrada pela Polícia Federal no dia 13 de abril para combater crimes como corrupção e envolvimento com jogos ilegais. Para esta sexta, estão marcados os depoimentos de José Granado Ferreira, Paulo Roberto Ferreira Lino e Júlio César Guimarães Sobreira.
A fase de depoimentos na Justiça Federal começou nessa quinta-feira. Prestaram depoimento Aniz Abrahão David, o Anísio, Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães, e Antonio Petrus Kalil, o Turcão. Eles desembarcaram na Base Aérea do Galeão, vindo de Brasília, no início da tarde, e foram escoltados em um microônibus da Polícia Federal até o fórum, no centro do Rio.
Aluguel de imóveis, venda de jóias antigas e até administração de finanças em 'contratos de boca' são as atividades que sustentam os bicheiros Aniz Abrahão David, o Anísio; Antônio Petrus Kallil, o Turcão; e Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Foi o que eles disseram no depoimento na 6ª Vara Federal Criminal.
Turcão alegou que explorava o jogo do bicho até quatro meses atrás, mas que hoje está afastado da atividade. Anísio também admitiu que até 1993 era ligado ao jogo do bicho, mas que deixou a atividade depois da prisão. Anísio também negou que conheça qualquer autoridade envolvida nas investigações da Polícia Federal. O capitão Guimarães acompanhou Turcão e Anisio nas declarações à juiza e negou por completo as acusações. Guimarães foi mais longe e disse não saber por que está preso.
Os três, principais suspeitos de comprar liminares de desembargadores para funcionamento de casas de bingo, entraram com habeas corpus no Tribunal Regional Federal para que sejam colocados em liberdade.
Segundo seus advogados, eles querem ter o mesmo tratamento dos magistrados, que foram soltos no início da semana, por decisão da Justiça.
De acordo com o advogado de Anísio, Ubiratan Guedes, se os magistrados investigados no caso estão soltos, seu cliente tem o mesmo direito. - Aqueles que seriam, em tese, os corrompidos e teriam a obrigação, em tese, de defender o interesse público foram soltos, porque se entendeu que não cabia a prisão. Ora, se não cabia para aqueles que são funcionários públicos, obviamente não cabem para esses que estão aqui - disse Guedes.