Juíza assassinada em Niterói tinha várias decisões judiciais contra PMs
A juíza Patrícia Lourival Acioli, executada na madrugada desta sexta-feira em Niterói, tinha várias decisões judiciais contra policiais militares em seu currículo. O governador Sérgio Cabral disse que está em contato direto com o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para que seja esclarecido o mais rápido possível o assassinato.
A juíza Patrícia Lourival Acioli, executada na madrugada desta sexta-feira em Niterói, tinha várias decisões judiciais contra policiais militares em seu currículo. Como titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, ela era responsável por julgar casos de homicídio no segundo município mais populoso do estado do Rio, inclusive os casos de autos de resistência, isto é, mortes provocadas pela polícia supostamente em confronto com o suspeito.
Segundo a Polícia Militar, a magistrada estava dentro do carro, na porta de sua casa, quando homens armados passaram e atiraram várias vezes contra ela. Patricia levou pelo menos 15 tiros, segundo um parente que não quis de identificar. Os homens quer atiraram contra a juiza estavam duas motos e um carro, disse ainda o familiar da magistrada, conhecida por uma atuação rigorosa contra a ação de grupos de extermínio naquela região do Estado.
Em setembro de 2010, a magistrada determinou a prisão de quatro policiais militares de Niterói e São Gonçalo, acusados de integrar um grupo de extermínio na região. Em janeiro deste ano, ela também decretou a prisão de seis policiais acusados de forjar autos de resistência.
Na última terça-feira, Patrícia Lourival Acioli condenou o oficial da Polícia Militar Carlos Henrique Figueiredo Pereira a um ano e quatro meses de detenção, em regime aberto, pela morte do jovem Oldemar Pablo Escola Faria, de 17 anos, em setembro de 2008.
O governador Sérgio Cabral disse, na manhã desta sexta-feira, que está em contato direto com o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e com a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, para que seja esclarecido o mais rápido possível o assassinato da juíza da 4ª Vara Criminal, de 47 anos.
Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), Antonio Siqueira, Beltrame disse que mobilizou todas as forças policiais do estado para esclarecer o crime, que considerou de extrema gravidade. A pedido da chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, a Delegacia de Homicídios (DH) do Rio assumiu as investigações do crime.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, desembargador Manoel Alberto Rebelo dos Santos, que esteve no local do crime, afirmou que admite a hipótese de a juíza Patrícia Acioli ter sido assassinada em consequência de sua atuação rigorosa contra grupos de extermínio formado por policiais militares.
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