Em Parauapebas, sul do Pará, o juiz Jorge Antônio Ramos Vieira, que atua na Vara do Trabalho, foi alvo de pelo menos 20 ameaças de morte após comandar incursões em fazendas para libertar trabalhadores e obrigar proprietários a pagar direitos trabalhistas.
No local, vários produtores rurais da região Noroeste de Minas Gerais têm propriedades, entre eles o prefeito de Unaí, José Brás da Silva.
Uma das ameaças contra o juiz foi descoberta por acaso, quando da prisão de um pistoleiro. Seu nome estava em uma lista de futuras vítimas por contrariar o poder dos fazendeiros locais. Diante disso, o juiz foi transferido para o Fórum de Belém.
A Vara de Trabalho de Parauapebas, desde então, adotou o sistema de rodízio, quando os juízes trabalhistas permanecem no local apenas 15 dias no mês. Parauapebas é um dos lugares para onde agentes federais da força-tarefa que apuram a chacina de Unaí se deslocaram na semana passada à procura de pistas de pistoleiros que podem ter sido contratados para executar o crime.
O prefeito José Brás da Silva, 68 anos, é processado pela Justiça do Trabalho do Pará, acusado de manter trabalhadores em regime de semi-escravidão na fazenda Boa Esperança, em Parauapebas. O julgamento deverá acontecer até o final deste mês. Na semana passada, Brás se declarou 'estarrecido' ao saber que estaria sob investigação em relação às mortes dos auditores.
Juiz paraense sofre 20 ameaças de morte
Quinta, 05 de Fevereiro de 2004 às 02:45, por: CdB