O juiz, Chiara Nobili de Milão, assinou os mandados de prisão na quarta-feira para 13 agentes da CIA que eram suspeitos de terem seqüestrado um imã chamado Hassan Mustafa Osama Nasr, também conhecido como Abu Omar, enquanto ele saía de sua mesquita no dia 17 de fevereiro de 2003.
Nasr, que estava sob investigação antes de seu desaparecimento por possíveis relações com a Al-Qaeda, ainda está desaparecido, e sua família e amigos dizem que ele foi torturado por carcereiros egípcios.
Os mandados continuavam lacrados em um tribunal de Milão na última sexta-feira. Mas cópias obtidas pelo New York Times mostram que 13 cidadãos norte-americanos, todos identificados como funcionários ou terceiros da agência, são procurados por acusações de seqüestro.
Um dos procurados, identificado nos documentos judiciais como a principal autoridade da agência em Milão, é descrito no mandado por ter "coordenado a missão e também garantido as conexões e assistência para outros envolvidos no crime". Ele deixou Milão e viajou para o Egito cinco dias antes do seqüestro, diz o mandado.
Essa é a primeira vez que um país tenta julgar agentes dos EUA por rendição, na qual suspeitos de terrorismo capturados no exterior são enviados pelos EUA para seus países ou terceiros países, alguns dos quais têm históricos de tortura de presos.
Os investigadores italianos supuseram inicialmente que a operação havia sido conduzida por autoridades italianas e norte-americanas porque testemunhas disseram que os seqüestradores falavam italiano fluente. Mas na sexta-feira, eles disseram ter encontrado evidências apenas do envolvimento dos EUA.
"Não há sombra de prova de envolvimento do governo italiano", afirmou um dos investigadores. "Se alguém nos dissesse que os italianos estavam envolvidos, nós abriríamos a investigação novamente".
Nasr, um egípcio de 42 anos, chamou a atenção das autoridades antiterroristas em 1997, pouco depois de chegar da Albânia. Após o 11/09, ele foi identificado por autoridades italianas e norte-americanas como um membro da Al-Qaeda que lutou no Afeganistão e na Bósnia e havia feito declarações antiamericanas.
Na época de seu desaparecimento, autoridades italianas o investigavam por tentar recrutar jihadistas através de sua mesquita em Milão.
Nasr foi libertado sob custódia no Egito 14 meses depois, em abril de 2004, e telefonou para sua mulher e um amigo em Milão para dizer que havia sido torturado. Pouco depois da ligação, ele foi seqüestrado pela polícia egípcia e nunca mais ninguém ouviu falar dele, disseram os investigadores. Juiz ordena a prisão de 13 membros da CIA
Juiz ordena a prisão de 13 membros da CIA
Sábado, 25 de Junho de 2005 às 08:46, por: CdB