Um juiz federal dos EUA rejeitou na marugada desta quarta-feira o pedido dos pais de Terri Schiavo, que há 15 anos vive em "estado vegetativo", de que o tubo de alimentação responsável por impedi-la de morrer seja recolocado em caráter emergencial. A decisão significa um golpe contra os pais, que contam com o apoio do Congresso e do presidente do país, George W. Bush, nos seus esforços para manter a filha viva.
O juiz James Whittemore divulgou uma sentença de 13 páginas rejeitando o pedido feito pelos pais de Schiavo para que o tubo, retirado na última sexta-feira por ordem da Justiça do Estado da Flórida, fosse reintroduzido. Sem o tubo, prevê-se que a mulher morra de inanição dentro de uma ou duas semanas.
O juiz passou a analisar o caso na última segunda-feira depois de o Congresso ter sido tirado do recesso de Páscoa para aprovar uma lei especial no final de semana. A intervenção dos congressistas permitiu aos pais de Schiavo, Bob e Mery Schindler, comparecer diante da Justiça Federal para tentar rever o caso, até então tratado na Justiça estadual.
Whittemore reconheceu a gravidade das consequências em negar a reintrodução do tubo em medida cautelar, mas disse estar obrigado a seguir a lei.
- Esta corte vê-se obrigada a aplicar a lei aos fatos expostos já que os requerentes não apresentam uma chance substancial de que haja sucesso no mérito do caso - afirmou o juiz.
Os pais, que há anos tentam na Justiça da Flórida impedir a retirada do tubo de alimentação, apelaram da decisão junto a um tribunal de apelações de Atlanta.
- Ficamos animados quando o Congresso e o presidente assinaram a lei e achamos que minha irmã teria o tubo de alimentação de volta. E agora ouvimos essa notícia. Estou perdido - disse Bobby Schindler, irmão de Schiavo.
A norte-americana sofreu um ataque cardíaco em 1990 que a deixou em um estado vegetativo. A Justiça da Flórida, em várias decisões, concordou com o marido e guardião legal de Schiavo, Michael Schiavo, de que sua mulher não desejaria viver nas condições atuais.
Whittemore deixou claro na última segunda-feira que só poderia emitir uma medida cautelar determinando a reinserção do tubo se achasse que os Schindlers teriam chances reais de vencer a batalha judicial na Justiça federal.