Os militantes islâmicos estarão sempre um passo à frente da lei, enquanto os Estados Unidos mantiverem a prioridade militar na chamada guerra ao terrorismo, disse na quarta-feira o famoso juiz espanhol Baltasar Garzón.
Em uma conferência internacional sobre combate ao terrorismo, Garzón disse que a única saída é harmonizar os sistemas dos EUA e da Europa de forma que mais informações sejam compartilhadas por tribunais de ambos os lados do Atlântico.
"As diferenças são tamanhas que a cooperação internacional é difícil nos campos policial e judiciário. A única forma é encontrar pontes de comunicação entre os dois modelos", disse Garzón, que investiga a atuação de radicais islâmicos na Espanha desde a década de 1990. Ele também é conhecido por ter emitido a primeira ordem de prisão contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
Ele disse que, em geral, os EUA tratam o terrorismo como um ato de guerra, o que fica claro com a detenção de supostos "combatentes inimigos" na base naval de Guantánamo, encravada em Cuba. Já a Europa, segundo Garzón, prefere tratar o tema como um assunto de Justiça penal.
O resultado disso é que a maior parte das informações obtidas por militares norte-americanos não é compartilhada com a Europa e, de qualquer forma, não seria admitida em julgamentos, segundo Garzón.
"As investigações são abatidas ou atenuadas por causa da falta de dados ou de dados que não podemos usar porque certas garantias dos direitos dos réus não são empregadas."
Ele elogiou a intensa cooperação entre França e Espanha contra o grupo separatista basco ETA e a criação do mandado de prisão europeu, que garante a rápida extradição de presos entre países com leis compatíveis do continente.
"Estes métodos podem ser exportados a outras regiões", disse Garzón. "Estados Unidos e Europa têm de pensar nisso juntos."