Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Juiz dos EUA congela US$7 bi em bônus antigos da Argentina

Sexta, 25 de Março de 2005 às 13:38, por: CdB

Uma corte federal dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira ter congelado 7 bilhões de dólares em bônus da Argentina em default que seriam trocados por novos títulos na reestruturação da dívida do país, numa ação movida por um credor decepcionado.

A NML Capital, investidora baseada nas Ilhas Cayman e que possui 204 milhões de dólares em títulos da dívida, pediu ao juiz Thomas Griesa, da corte federal do Distrito de Nova York, para segurar os papéis antigos, alegando que são propriedade dos credores.

"A ordem prevê o congelamento de até 7 bilhões de dólares em títulos da Argentina, que... estavam sendo mantidos pelo Bank of New York como consequência da oferta argentina", mostrou um comunicado da corte.

A corte disse que advogados da Argentina em Nova York estavam tentando reverter o congelamento e que faria uma audiência na terça-feira à tarde para discutir o assunto.

A Argentina declarou moratória há três anos em 81,8 bilhões de dólares de sua dívida no auge de sua pior crise econômica na história recente. Somando os juros vencidos, o total chegou a 102,6 bilhões de dólares quando a Argentina lançou a oferta de troca de dívida.

A troca, aceita por 76% dos credores argentinos, encerrou-se no dia 25 de fevereiro. A Argentina diz que lançará 35,2 bilhões de dólares em títulos para aqueles que aceitaram a proposta. Wall Street estima que eles vão recuperar somente cerca de 30 centavos por cada dólar da dívida antiga.

A maioria dos 24% de credores que ficaram de fora da operação estão desafiando o país por meio da corte de Griesa, mas apesar de algumas decisões contra a Argentina, esses credores não conseguiram até agora congelar permanentemente bens, propriedades ou dinheiro em compensação pelo que o país deve a eles.

A NML Capital tentou no ano passado desapropriar a residência do embaixador argentino em Washington como pagamento, mas desistiu após o juiz Griesa dizer que propriedades diplomáticas não podem ser tomadas por credores.

Não está claro o que a NML pretende fazer com os títulos antigos.

O Bank of New York, os advogados da NML e o Ministério da Economia da Argentina não quiseram comentar o caso. Os advogados da Argentina em Nova York não responderam às ligações pedindo comentários.

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