O juiz responsável pelo julgamento em que Valentina de Andrade foi absolvida da acusação de chefiar o bando responsável por mutilações e mortes de meninos em Altamira, no Pará, se defendeu nesta segunda-feira da acusação de que teria mandado instalar telefones nos quartos do hotel onde estavam hospedados os jurados.
Segundo Ronaldo Valle, a acusação, feita contra ele pela jurada Odília Azevedo, é falsa. A quebra de incomunicabilidade dos jurados é o motivo de duas ações no Tribunal de Justiça do Pará que pedem a anulação do julgamento.
O juiz Ronaldo Valle afirma ter 14 anos de magistratura sem nenhuma mancha. E nega a versão de Odília. Em entrevista ao 'Jornal Nacional', da TV Globo, na última sexta-feira, ela contou que o juiz mandara instalar os telefones nos quartos.
- No dia seguinte ele perguntou se tudo tinha sido instalado e se estava tudo bem. Tudo o que fizemos, fizemos porque tínhamos consentimento para fazer - afirmou a jurada.
Nesta segunda, também em entrevista ao Jornal Nacional, o juiz rebateu as acusações:
- Em nenhum momento eu disse para as juradas que havia dado ordem para a instalação. Essa declaração é inverídica. Ningu´pem recebeu dinheiro, ninguém foi corrompido. Tenho compromisso ético e desafio qualquer pessoa a mostrar algum desvio de conduta nesses meus 14 anos de magistratura - disse.
Valentina foi absolvida em júri popular por seis votos a um. Chefe da organização Lineamento Universal Superior (LUS), ela era acusada de ser a mentora intelectual dos crimes de assassinato e mutilação de meninos. A absolvição foi uma surpresa, principalmente após a condenação de todos os envolvidos julgados anteriormente.
O médico Césio Brandão; Amailton Madeira, filho de um empresário dono de fazendas e postos de gasolina em Altamira; e o ex-policial militar Carlos Alberto Santos foram condenados a mais de 30 anos de prisão.
Juiz diz não ter instalado telefones para jurados
Terça, 02 de Março de 2004 às 00:39, por: CdB