Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Juiz decreta prisão preventiva de procuradora denunciada por agredir menina

Policiais da 13ª DP (Ipanema) estiveram na casa da procuradora Vera Lúcia de Sant'Anna Gomes, de 66 anos, em Ipanema, com um mandado de prisão preventiva contra ela, expedido na tarde desta quarta-feira pelo juiz em exercício da 32ª Vara Criminal da Capital, Guilherme Fchilling Pollo Duarte, atendendo a um pedido do Ministério Público estadual. Porém, a procuradora, denunciada por tortura contra menina de 2 anos , que estava sob a sua guarda provisória, não estava em casa (apesar de as janelas estarem abertas). Outras equipes foram até a casa da procuradora em Búzios, mas também não a encontraram. Vera Lúcia pode ser presa a qualquer momento. (Leia Mais)

Quinta, 06 de Maio de 2010 às 09:53, por: CdB

Policiais da 13ª DP, de Ipanema estiveram na casa da procuradora Vera Lúcia de Sant'Anna Gomes, de 66 anos, em Ipanema, com um mandado de prisão preventiva contra ela, expedido na tarde desta quarta-feira pelo juiz em exercício da 32ª Vara Criminal da Capital, Guilherme Fchilling Pollo Duarte, atendendo a um pedido do Ministério Público estadual. Porém, a procuradora, denunciada por tortura contra menina de 2 anos , que estava sob a sua guarda provisória, não estava em casa. Outras equipes foram até a casa da procuradora em Búzios, mas também não a encontraram. 

O advogado da procuradora aposentada, Jair Leite Pereira, informou que vai entrar no Tribunal de Justiça com um pedido de habeas corpus para tentar anular o pedido de prisão. Segundo Jair Leite, apenas um desembargador poderia ter revertido a decisão do juiz Roberto Câmara Lacé Brandão que, mais cedo, declinando de sua competênica, transferira o caso para o 1º Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Neste caso, pena seria menor, apenas por lesão corporal, chegando no máximo a três anos de prisão. Se condenada por tortura, com agravante, a procuradora aposentada pode pegar até dez anos e meio de prisão.
 
O juiz Guilherme Fchilling considerou que a liberdade de Vera Lúcia colocaria em risco a busca por provas e a garantia da ordem pública.  "A ré vem exercendo atos de coação e intimidação contra testemunhas essenciais para o esclarecimento da verdade dos fatos. Ainda, o caso vertente vem merecendo especial destaque no meio social, não apenas em razão da natureza hedionda do delito, mas também diante das peculiares condições da vítima e da denunciada. Por tais motivos, decreto a prisão preventiva da acusada", escreveu o juiz na sua decisão.

O juiz ressaltou ainda que o Juizado Especial de Violência Doméstica é direcionado aos casos de violência de gênero, o que não ficou caracterizado no episódio. "Embora os fatos tenham sido praticados no contexto de uma relação familiar, as agressões teriam ocorrido não por ser a vítima uma mulher, mas por ser uma criança", explicou o magistrado.

No total, doze pessoas foram ouvidas ao longo do inquérito. Algumas das testemunhas ouvidas são ex-empregadas domésticas que relatam as agressões sofridas pela menina, entre elas, as do dia em que Vera Lúcia Gomes a agrediu e depois bateu a cabeça da criança com força numa mesa de mármore. As fotos que foram anexadas à denúncia do Ministério Público mostram a criança com olhos roxos e inchados, sendo que o Conselho Tutelar recebeu inicialmente a denúncia por meio de um telefonema anônimo, além de uma gravação, que teria sido feita dentro do apartamento e que mostra um dos momentos de agressão, onde a voz seria da procuradora, e o choro, da menina.

Na denúncia encaminhada pelo MP à Justiça, os promotores citam ainda o depoimento de uma testemunha, que foi considerado um relato assustador. A mulher vincula a violência contra a criança a práticas de uma seita satânica. A testemunha diz ainda acreditar que a menina seria oferecida como um sacrifício a esta seita.

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