Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Juiz concede fiança de US$1 milhão a ex-chefe do FMI

Quinta, 19 de Maio de 2011 às 13:56, por: CdB

Dominique Strauss-Kahn teve o seu pedido de fiança atendido por um juiz de Nova York nesta quinta-feira, mas o ex-diretor-gerente do FMI acusado de tentar estuprar uma camareira de hotel vai ficar mais uma noite na prisão antes de ser libertado. O juiz definiu a fiança em 1 milhão de dólares em dinheiro e demandou prisão domiciliar por 24 horas com monitoramento eletrônico para o francês, que renunciou como o responsável pelo Fundo Monetário Internacional, mas prometeu lutar contra as acusações de ataque sexual que levaram a sua prisão. Strauss-Kahn também foi ordenado a contratar um guarda armado para acompanhá-lo em todos os momentos --ele arcará com os custos-- e ter 5 milhões de dólares em garantia. Os promotores argumentaram que havia risco dele fugir. Os termos da fiança foram suficientes para garantir "que você vai estar aqui quando for necessário", disse o juiz da Suprema Corte de Nova York Michael Obus para Strauss-Kahn, de 62 anos, que está sob custódia desde que a polícia o retirou de um avião da Air France no sábado. A esposa dele alugou um apartamento na cidade de Nova York, onde o casal vai morar, de acordo com o advogado William Taylor. As medidas de segurança vão custar, sozinhas, 200 mil dólares por mês. Strauss-Kahn, vestido com uma camisa azul e jaqueta cinza, sorriu para a mulher, a antiga jornalista da televisão francesa Anne Sinclair, e para a filha Camille ao entrar no tribunal. Ele pareceu cansado e olhou para frente com determinação durante a audiência, sussurrando ocasionalmente para o seu advogado. Sinclair e a filha entraram no tribunal com os braços dados e mais de cem jornalistas lotaram a sala, separados de Strauss-Kahn por uma fileira de seguranças armados. O ex-chefe do FMI, um homem acostumado a se hospedar em quartos de hotéis de luxo e a viajar na primeira classe, teve fiança negada na segunda-feira por um Tribunal Criminal de Manhattan e estava preso desde então na penitenciária Rikers Island, na cidade de Nova York. Ele nega veementemente a acusação de ato sexual criminoso, tentativa de estupro, abuso sexual, cárcere privado e uso da força para tocar a vítima em uma carta divulgada na quarta-feira pelo FMI para anunciar sua renúncia. "Quero dedicar todas as minhas forças, todo o meu tempo e toda a minha energia para provar a minha inocência", disse Strauss-Kahn em nota. O ex-chefe do FMI pode pegar até 25 anos de prisão se for condenado. Ele foi detido pela polícia de Nova York no sábado a bordo de um voo da Air France minutos antes de a aeronave decolar para Paris. Os promotores disseram que por volta das 13h (horário de Brasília) do sábado, Strauss-Kahn agrediu sexualmente uma camareira do hotel Sofitel no centro de Manhattan, tentou estuprá-la, e, sem conseguir, a forçou a fazer sexo oral nele. A audiência sobre a fiança aconteceu ao mesmo tempo em que crescem as disputas para assumir o topo do Fundo Monetário Internacional. Países europeus e os Estados Unidos buscam uma sucessão rápida para evitar que economias emergentes coloquem um potencial candidato rival. Uma pesquisa da Reuters com economistas mostrou que 32 de 56 profissionais acreditam que a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, é a candidata com mais chances de sucedê-lo, e diplomatas na Europa e em Washington disseram que ela tem o apoio da França, Alemanha e Grã-Bretanha -- as três maiores economias da Europa. Reuters

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