Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Juiz americano despreza acusação contra Greenpeace por falta de provas

Quarta, 19 de Maio de 2004 às 17:44, por: CdB

Um juiz americano desprezou nesta quarta-feira, as acusações apresentadas contra a organização ecologista Greenpeace, de abordar ilegalmente uma embarcação que transportava madeira de mogno da Amazônia, por insuficiência de provas.

O magistrado Adalberto Jordan opinou em um tribunal de Miami (Flórida) que por não existirem provas suficientes, o caso não podia ser tratado pelos membros do tribunal que foram selecionados na segunda-feira passada.

John Passacantando, diretor executivo do Greenpeace dos EUA, qualificou a decisão como uma "vitória" para a organização e para a liberdade de expressão deste país.

O Greenpeace tinha dito que se fosse sentenciada, estaria penalizando a liberdade de expressão e debilitando os esforços do governo do Brasil para evitar o corte ilegal e o tráfico da madeira conhecida como "ouro verde".

A Procuradoria dos EUA apresentou acusações contra a organização baseada no "tráfico de marinheiros", sancionada por uma lei aprovada em 1872 que tinha sido empregada só em duas ocasiões no sistema judicial dos EUA, a última em 1890.

O marco legal castiga a prática do "tráfico de marinheiros" que no século XIX se transformou em um problema sério quando os bordéis enviavam suas prostitutas aos navios que atracavam nos portos para embriagar os marinheiros e depois trasladá-los a terra firme.

A organização enfrentava ações porque em abril de 2002 dois de seus integrantes abordaram uma embarcação de carga, a quatro quilômetros do litoral de Miami Beach (Flórida), para protestar contra a suposta pouca intervenção do governo dos EUA frente a importação de mogno.

O mogno é uma espécie vegetal protegida e a comercialização de sua madeira é regulada para evitar sua exploração na fabricação de móveis e embarcações.

Os dois ativistas do grupo que abordaram o navio "Jade" para colocar um cartaz com o lema "Detenham o corte ilegal" se declararam culpados depois do protesto e foram condenados a dois dias de prisão.

No entanto, a Procuradoria pediu que a organização fosse ajuizada por suas práticas de protesto.

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