O juiz federal Julier Sebastião da Silva acusou o PSDB, de Mato Grosso, e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) por prática de caixa dois em campanhas eleitorais durante a disputa de 2002. A afirmação provocou contrangimento entre os parlamentares da oposição, nesta quinta-feira, por ter sido feita durante sessão da CPI dos Bingos da qual Antero é integrante.
Conforme o juiz, o dinheiro teria chegado à campanha tucana por meio de uma empresa de factoring.
- O PSDB operou 84 cheques num valor de 240 mil reais com a Confiança Factoring - disse o juiz.
As afirmações transformaram o o plenário em um palco para a troca de acusações entre Antero e o magistrado.
- Ele (Julier) usa a toga para defender o PT. O partido político dele - acusou o senador na CPI.
Antero negou as acusações e afirmou que o juiz levou os fatos à CPI por ter ligações com o PT ao qual já fora a filiado.
O caso Banestado
O juiz afirmou, ainda, ter recebido um relatório do deputado José Mentor (PT-SP), que atuou como relator da CPI do Banestado, no qual acusa Antero de atrapalhar os trabalhos da comissão para beneficiar Arcanjo, acusado de envolvimento com o crime organizado no Estado. O tucano foi presidente da CPI. Em seu depoimento, o juiz afirma que Mentor acusa Paes de Barros de ter obstruído os trabalhos de investigação da CPI do Banestado e, segundo o processo, ele é citado também como receptador de cerca de R$ 240 mil de Arcanjo, provenientes do tráfico de drogas e prostituição, para sua campanha eleitoral de 2002.
- A mim não cabe julgar se Mentor tem credibilidade ou não. Ele encaminhou oficialmente e era minha obrigação despachar - disse o juiz em seu depoimento. O petista está sendo processado pelo Conselho de Ética da Câmara acusado de envolvimento no escândalo do mensalão.
O depoimento do procurador Pedro Taques, que deveria acontecer após o de Julier foi adiado a pedido do senador Tião Viana (PT-AC). Taques foi responsável pelo encaminhamento do processo que envolve o nome de Antero à Justiça.