O oitavo juiz que assumiu o processo aberto devido ao incêndio em um supermercado de Assunção - que deixou cerca de 400 mortos e centenas de feridos - decidiu, nesta quinta-feira, se declarar suspeito para julgar o caso por ser amigo de um dos advogados envolvidos.
- Me declaro suspeito por amizade, respeito e admiração a Luis Escobar Faella - disse o juiz Rubén Riquelme, revelando sua ligação com o advogado do principal acusado no caso, o empresário Juan Pio Paiva.
Riquelme, cuja circunscrição recebeu a causa depois da renúncia do juiz Ramón Melo, investigado por uma decisão favorável a Paiva, explicou que havia sido um colaborador próximo de Escobar quando ele esteve à frente da Procuradoria.
O magistrado disse que o processo irá de novo ao organismo que distribui as causas para que outro juiz de algum município nos arredores de Assunção seja designado, já que todos os da capital recusaram o caso.
No dia 11 de abril passado, o juiz Melo concedeu prisão domiciliar a Paiva, dono do supermercado que pegou fogo, com base em um parecer do perito, que aconselhava sua transferência da prisão de Tacumbú, onde estava preso preventivamente.
Uma violenta reação das vítimas e de seus familiares o obrigou a revogar sua decisão em menos de 24 horas e a ordenar a transferência de Paiva para o hospital da polícia, o que motivou seu afastamento por parte dos advogados de acusação e de defesa.
Paiva, de 65 anos, e outras onze pessoas foram acusados de responsabilidade pelo incêndio, no dia 1º de agosto de 2004. O proprietário do supermercado é acusado de ter determinado, uma vez iniciado o fogo, que as portas do local fossem fechadas para evitar que as pessoas saíssem sem pagar.
Juiz abandona precesso do incêndio em supermercado em Assunção
Quinta, 21 de Abril de 2005 às 13:48, por: CdB