Quem disse é ninguém menos do que Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal: o sistema judiciário do Brasil “não é apenas custoso e ineficiente, ele é danoso e perverso”.
Segundo Peluso, ontem, em uma audiência no Senado para defender Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz o número de instâncias para apresentação de recursos no Judiciário, a Justiça no país “concorre para a proliferação das prisões preventivas ilegais, em dano da liberdade do cidadão".
Ao pé da letra
As afirmações do presidente do STF devem ser tomadas ao pé da letra. Basta ver o que aconteceu em Campinas: prisões preventivas ilegais, desnecessárias, feitas com objetivo político e de sensacionalismo, de busca de publicidade para certos promotores.
A propósito do mesmo assunto, Pedro Benedito Maciel Neto, 47, advogado e professor universitário, escreveu neste blog recentemente (leia mais) exatamente sobre as tensas relações vividas hoje entre o sistema judicial e o sistema político. Ele resume o problema numa frase, já tratado pelo sociólogo português Boaventura Santos: a judicialização da política que conduz à politização da justiça.
Para Maciel Neto, “o uso do judiciário e da mídia, o deslocamento desmedido de questões políticas e policiais para o campo judicial e midiático pode revelar ausência de espírito democrático de quem age assim e, em tese, verdadeira litigância de má-fé e ausência de espírito democrático e republicano”.
Peluso e Maciel estão certos. E merecem ouvidos.
Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026
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