Os colonos da Faixa de Gaza pediram a Israel na quinta-feira que os deixe manter suas comunidades unidas se forem retirados de suas casas. A declaração é o indício mais forte surgido até agora de que os líderes dos colonos não acreditam no sucesso de sua tentativa de resistência.
Representantes dos colonos prometeram fazer todo o possível para impedir o plano do primeiro-ministro do país, Ariel Sharon, de desocupar os 21 assentamentos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 assentamentos da Cisjordânia.
Até esse momento, apenas uma minoria dos colonos tinha falado abertamente sobre a possibilidade de ser efetivamente retirada de suas casas.
- Decidimos ficar, mas ao mesmo tempo estamos fazendo esse apelo para o governo a fim de garantir que continuemos juntos se eles forem adiante com a decisão de nos expulsar - disse Avner Shimoni, chefe do Conselho Regional da Faixa de Gaza, que responde por todos os assentamentos da região.
Shimoni afirmou que os colonos continuariam a resistir e um porta-voz do movimento divulgou um comunicado dizendo que a "luta continua".
Mas Shimoni ressaltou que, se os colonos tiverem de partir, eles gostariam de ir para Nitzanim, um lugar localizado 20 quilômetros ao norte da Faixa de Gaza e cuja paisagem se parece com a da região.
- Queremos partir como um corpo só mesmo que seja para um campo de refugiados onde moraríamos em barracas - afirmou Shimoni.
O jornal israelense Haaretz disse que Sharon pretendia aprovar o plano de Nitzanim, já discutido por representantes do governo em um encontro no domingo com líderes pragmáticos dos colonos.
Colonos de três comunidades seculares do norte da Faixa de Gaza já começaram a sair dos assentamentos, mas a resistência é maior no bloco de Gush Katif, o principal. Ali, as lideranças são compostas por judeus religiosos.
Em Israel, teme-se que os colonos recorram a atos violentos na tentativa de impedir o plano de Sharon.
A retirada por parte de Israel seria uma vitória da violência militante, afirmou um importante líder do grupo islâmico Hamas em entrevista publicada nesta quinta-feira.
Mahmoud al-Zahar disse ao jornal britânico Times que as autoridades de Israel haviam sido pressionadas pelos militantes, que promovem uma revolta desde 2000.
- Se Israel vai deixar a Faixa de Gaza e parte da Cisjordânia é devido à Intifada, à luta armada e aos grandes sacrifícios do Hamas pelo seu objetivo - disse.