Um documento estratégico publicado em uma página da Internet simpática à Al Qaeda apresenta judeus, norte-americanos e britânicos como os principais alvos e pede a células militantes de todo o mundo que ``transformem a terra dos infiéis num inferno''.
O texto, que se apresenta como ``diplomacia escrita com sangue, decorada com partes de corpos e perfumada com pólvora'', é mais um item do manual de guerrilha publicado por alguns sites, que cobre desde temas ideológicos até a manipulação de armas.
O documento intitulado ``Quartel Al Battar'' (espada) não pôde ter sua autoria confirmada, mas tem tom e conteúdo já vistos em manuais semelhantes surgidos em sites de militantes islâmicos.
``As terras dos infiéis devem ser transformadas num inferno, porque eles transformaram os países muçulmanos num inferno. Portanto, as células ativas globalmente não devem se impor qualquer limite geográfico'', diz o texto.
Judeus dos EUA e de Israel, seguidos pelos da França e da Grã-Bretanha, são descritos como sendo os principais alvos. Mas também há apelos contra cristãos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, e em seguida contra espanhóis, australianos, canadenses e italianos.
O manual recomenda ataques especialmente contra empresários, diplomatas, acadêmicos, cientistas e líderes militares, além de turistas. Entre os alvos econômicos aparecem investimentos judaicos e cristãos em países islâmicos, bem como multinacionais e economistas de reputação internacional.
O texto, que tem como subtítulo ``Alvos Dentro de Cidades'', foi assinado por Abdulaziz Al Muqrin, apontado por governos ocidentais como o principal propagandista e agente financeiro da Al Qaeda na Arábia Saudita.
Há relatos de que Muqrin teria assumido o comando do grupo na Arábia Saudita no mês passado, depois do assassinato de Khaled Ali Ali Haj em um tiroteio com a polícia.
``Toda a econômica européia sofreu com os abençoados ataques de Madri, que foram um golpe contra os governos dos cruzados relativo às Cruzadas, os judeus e os ateus'', disse o documento.
``Os ataques em poços de petróleo e oleodutos no Iraque podem levar à retirada das empresas estrangeiras ou pelo menos destruir a segurança e a estabilidade necessária para que eles saqueiem a riqueza dos muçulmanos.''
O texto afirma ainda que locais religiosos não devem ser alvo de atentados, exceto os de missionários cristãos em países islâmicos e aqueles que usam a fachada religiosa para fazer espionagem. Também são recomendados ataques contra líderes religiosos que atuam contra o Islã.
O documento comenta ainda que o assassinato do xeque Ahmed Yassin, fundador do Hamas, foi ``um combustível para a jihad guerra santa, alimentando-a e nutrindo-a e incitando a juventude nesse caminho''.