Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Jucá é alvo de novo pedido de cassação no Senado após delações

Após identificar a empresa Ibatiba Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios como uma das fontes de pagamento ilícito ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), a Polícia Federal passa a colher as provas necessárias para acrescentar ao processo

Quarta, 20 de Julho de 2016 às 12:01, por: CdB

Após identificar a empresa Ibatiba Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios como uma das fontes de pagamento ilícito ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), a Polícia Federal passa a colher as provas necessárias para acrescentar ao processo

 
Por Redação - de Brasília
  A denúncia de uma nova delação contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR) aumenta o risco de o parlamentar ser considerado réu no processo que apura desvio de recursos públicos, no âmbito da Operação Lava Jato, o que o levaria a enfrentar um segundo pedido de cassação. Jucá escapou do primeiro, arquivado por ordem do presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), há pouco mais de 40 dias. O requerimento foi apresentado pelo PDT, que já estuda uma nova representação.
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Em maio, o senador Romero Jucá renunciou ao cargo de ministro do Planejamento
Após identificar a empresa Ibatiba Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios como uma das fontes de pagamento ilícito ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), a Polícia Federal passa a colher as provas necessárias para acrescentar ao processo da Operação Lava Jato, que tramita na Justiça Federal do Paraná, sob a condução do juiz Sergio Moro. A Ibatiba foi citada na delação de um ex-executivo da Andrade Gutierrez como principal distribuidora de propinas ao ex-ministro do governo golpista Romero Jucá (PMDB-RR). Como um dos principais artífices do golpe de Estado, em curso, Jucá teria se beneficiado de cerca de R$ 30 milhões de empreiteiras que manobravam recursos fraudados em contratos superfaturados com a Petrobras. O Ministério Público Federal (MPF) apurou, ainda, que os repasses chegaram aos caixas de empresas como a Andrade Gutierrez (AG Engenharia), a Mendes Júnior e a OAS entre os anos de 2010 e 2012. Na delação premiada do ex-diretor de Energia da AG Flávio Barra, há cerca de 90 dias, era Jucá quem indicava o destino da propina arrecadada. O senador do Estado de Roraima já respondia a três outros inquéritos no âmbito da Lava Jato quando articulava a traição à presidenta Dilma Rousseff. Com o recrudescimento do escândalo, foi forçado a deixar o posto de ministro do Planejamento, em maio último, logo após divulgação de conversa gravada com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. No áudio, Jucá sugere a necessidade de se deter as investigações da Lava Jato. No depoimento de Barra, aos procuradores da Lava Jato, a Ibatiba consta como uma das empresas utilizadas para o trânsito do dinheiro sujo disponibilizado no processo de construção da Usina Angra 3, no Sul do Rio de Janeiro. O total movimentado pela Ibatiba, segundo a Procuradoria da República, ainda não foi apurado integralmente, mas os números constam nos extratos solicitados após a quebra de sigilo de um grupo de empresas apontadas como operadoras da Construtora Mendes Júnior. Os procuradores da força-tarefa disseram a jornalistas que, "não obstante os vultosos recebimentos, a Ibatiba, no período de 2010 e 2012, não declarou possuir qualquer funcionário e não efetuou qualquer pagamento a contribuintes individuais, sejam pró-labore ou autônomos, conforme se verifica a partir do exame de suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)". Os promotores apontam esta como uma das principais evidências de que houve o repasse de propina.

Jucá teme Moro

Diante das novas delações, desde que Machado divulgou o trecho no qual o ex-ministro concorda que o envio do processo para o juiz Sérgio Moro não seria uma boa opção, Jucá está cada vez mais próximo da Vara Federal de Curitiba, a qual ele chamou de “uma ‘Torre de Londres'”, em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos XV e XVI. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá “para o cara confessar”. Na gravação com Machado, Jucá afirma que seria necessária uma resposta política: “Tem que resolver essa p…. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá. Ele acrescenta que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado concorda: “aí parava tudo”. Na conversa, eles dizem que o único empecilho no pacto para barrar a Lava Jato seria o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), porque odiaria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). — Só Renan que está contra essa p… porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, p…— afirmou Jucá, no diálogo gravado. Advogado do então ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que Romero Jucá “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades. Atual presidente em exercício do PMDB, Jucá já foi citado em outras delações premiadas na Operação Lava Jato. Ele foi apontado por executivos da Camargo Corrêa e pelo ex-presidente da Transpetro como um dos parlamentares que recebiam parte da propina destinada ao PMDB por obras da Petrobras e por contratos no setor elétrico. O peemedebista ainda foi apontado pelo ex-executivo do grupo Hypermarcas Nelson Mello como um dos beneficiários de propina de cerca de R$ 30 milhões enviada a senadores do PMDB por meio do lobista Milton Lyra. Em outra operação, a Zelotes, o senador é alvo de investigação sobre suposta venda de medida provisória.
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