O banco norte-americano JPMorgan Chase & Co aumentou a sua oferta de aquisição do Bear Stearns para cerca de US$ 10 a ação, na tentativa de agradar aos acionistas da instituição que beirou a falência devido à crise das hipotecas nos EUA (subprime). Os investidores ficaram irritados com o acordo anterior, que reduziu a US$ 2 a ação que, ano passado, neste mesmo período, valia US$ 175. A oferta do comprador, no entanto, ainda não é firme, segundo fonte próxima ao acordo.
A proposta do JPMorgan, anunciada em 16 de março, de US$ 2 por ação, foi descrita como uma liquidação do terceiro maior banco de investimentos daquele país, fundado há 85 anos. O Bear iniciou seu rápido declínio após as perdas gigantescas observadas com ativos vinculados a hipotecas de alto risco. Uma queda na confiança provocou uma corrida dos clientes aos caixas. As ações do Bear eram negociadas em alta de mais de 50% no pregão eletrônico nesta segunda-feira, a US$ 9,16, enquanto na última quinta-feira, fecharam o expediente a US$ 5,96.
Segundo o diário norte-americano The New York Times, a proposta original de aquisição do Bear Stearns foi elaborada com o apoio de autoridades monetárias dos Estados Unidos e o Federal Reserve é contra o aumento no preço das ações. O jornal afirmou que o Fed originalmente direcionou o JPMorgan a não pagar mais que US$ 2 por ação para garantir que a operação não parecesse que os acionistas do Bear estavam sendo salvos.
A oferta de US$ 10 por ação eleva o preço do Bear a mais de US$ 1 bilhão. O valor, porém, não chega a um terço do que valia a ação em 14 de março, o último pregão antes do anúncio do acordo original. O valor também é menos de 10% do preço em que o papel foi negociado em 2007. Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan, se convenceu de que a fusão poderia estar em risco depois que passar a maior parte da semana passada recebendo ligações de acionistas indignados do Bear, informou o New York Times, citando fontes ligadas à negociação.
Entre estes acionistas está o empresário britânico Joseph Lewis, que investiu mais de US$ 1 bilhão em cerca de 12,1 milhões de ações do Bear até 13 de março.
O JP Morgan não quis comentar o assunto.