Aldeia Ipatse (Parque Indígena do Xingu) - Sorria! Você está sendo filmado poderia ser a placa de boas-vindas da principal aldeia dos Kuikuro. Cada um que desce do avião monomotor é capturado por jovens pintados – ou melhor, pelas lentes deles. Com urucum no cabelo e tinta de jenipapo no corpo, o grupo de cineastas/jornalistas comunitários/produtores de vídeo registra tudo o que acontece no fim de semana de festa.
Um dos integrantes do Coletivo Kuikuro de Cinema, Maricá Kuikuro, 25 anos, confirma: a intenção é mesmo fazer um espelho, colocar do outro lado os turistas, fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas que desembarcam com sede de imagens e depoimentos.
— A gente faz já planejado, para pegar a pessoa desapercebida —, diz.
Enquanto a ala masculina ou a feminina, às vezes ambas, apresentam-se nas danças do beija-flor, da coruja, do martim-pescador ou do papagaio, a equipe com entrevistador, câmera e sonoplasta registra tudo munida de filmadoras, escadas para garantir os melhores ângulos e microfones do tipo boom, que vão na ponta de uma haste longa e evitam ruídos indesejados. Grande parte dos registros culturais reunidos no recém-inaugurado Centro de Documentação Kuikuro foi gravada pelo coletivo de audiovisual. Eles também captam a movimentação da imprensa na praça central da aldeia.
Até o cacique visitante Kuiusi, dos Suyá, porta um gravador para registrar os cantos e os sons das flautas e percussões, assim como o chacoalho dos guizos metálicos nos tornozelos, que acompanham a poeira vermelha levantada pelos pés descalços.
Nas produções kuikuro no último sábado, os cineastas mesclam narrativas tradicionais, humor, ficção e referências a pessoas da comunidade. Um dos diretores, Maricá, é filho do chefe Tabata. Ele aparecia, pouco mais que um bebê, na série Xingu – A Terra Mágica, gravada em 1984, aprendendo a pescar com flecha. Na nova série do jornalista Washington Novaes, que tem como subtítulo A Terra Ameaçada, o jovem índio foi assistente de câmera. O irmão de Jairão, Takumã, dividiu com Maricá a direção de Imbé Gikegü – Cheiro de Pequi e Nguné Elü – O Dia em que a Lua Menstruou.
O DVD com os dois trabalhos, lançado no último domingo, resulta de parceria entre a Vídeo nas Aldeias, a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (Aikax) e o projeto Documenta Kuikuro. É o primeiro da coleção Cineastas Indígenas.
Para as pessoas filmadas que tinham esperança de que o material ficasse só no arquivo, informa Maricá Kuikuro: os vídeos serão editados e distribuídos para cada aldeia do Alto Xingu.
Jovens kuikuro fazem cinema com uma câmera na mão e urucum na cabeça
Aldeia Ipatse (Parque Indígena do Xingu) - Sorria! Você está sendo filmado poderia ser a placa de boas-vindas da principal aldeia dos Kuikuro. Cada um que desce do avião monomotor é capturado por jovens pintados – ou melhor, pelas lentes deles. Com urucum no cabelo e tinta de jenipapo no corpo, o grupo de cineastas/jornalistas comunitários/produtores de vídeo registra tudo o que acontece no fim de semana de festa. (Leia Mais)
Terça, 24 de Julho de 2007 às 14:52, por: CdB