Por Anarquia Já! 21/06/2011 às 14:06
Jovens gregos se mobilizam; premiê enfrenta voto do Parlamento
Grupos contrários às duras medidas de austeridade do governo grego reuniram-se em frente ao Parlamento, que decide nesta segunda-feira sobre o voto de confiança pedido pelo ministro George Papandreou.
A polícia está em alerta para garantir a segurança dos 300 deputados dos cinco partidos e parlamentares independentes que foram convocados para votar a moção de confiança.
Um porta-voz da polícia declarou que estão "preparados para manter a ordem" e confirmou que esperam que haja diversos grupos de protesto diante do Parlamento.
Na terceira greve geral de 24 horas em uma semana o número de feridos supera 40. Enquanto isso, os "indignados" que permanecem há mais de um mês na praça ateniense de Sintagma convocaram a população a emitir "um voto de desconfiança" a Papandreou às 19h (13h de Brasília).
As manifestações começaram desde cedo no plenário com dezenas de empregados de uma empresa estatal pedindo a reincorporação aos postos de trabalho e outros que temem perdê-lo diante da previsão de privatização da empresa.
O porta-voz dos manifestantes, Stathis Anestis, declarou à imprensa que a "Grécia está sendo utilizada pela União Europeia como porquinho-da-índia para implementar medidas antipopulares".
CONFIANÇA
O primeiro-ministro grego deve obter na noite desta terça-feira o voto de confiança do parlamento para garantir, na próxima semana, a adoção de um impopular plano de ajustes e privatizações, imprescindível para receber mais ajuda internacionais e evitar a falência.
Papandreou pediu no domingo um "acordo nacional", afirmando ao mesmo tempo que cortes "dolorosos" nos gastos públicos são a única solução para a crise gerada pela dívida do país.
Segundo Papandreou, o país chegou a um "ponto crucial", estando sob o risco de um calote catastrófico caso não houvesse nenhuma ação.
Aproveitou para pedir apoio para o novo gabinete, formado sexta-feira, que inclui o novo ministro de Finanças, Evangelos Venizelos, bem-aceito pelos empresários, para tentar acalmar a tensão política e social, e conseguir que seja aprovado, sem problemas, o novo plano de austeridade, até o final do mês.
"NÃO HÁ PLANO B"
Mais cedo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, insistiu que "não há alternativa" nem "plano B" caso o Parlamento grego rejeite o plano de ajustes e privatizações.
Olivier Hoslet/Efe
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, apoia o premiê grego e diz que não há volta em plano de resgate
Barroso considerou "crucial" que o novo governo formado por Papandreou receba o voto de confiança parlamentar e propôs facilitar o acesso da Grécia a fundos comunitários para incentivar o crescimento econômico do país e ajudá-lo a lutar contra o desemprego.
Ele deve apresentar a ideia aos líderes do bloco europeu na reunião que realizarão na quinta e na sexta-feira em Bruxelas.
"A Grécia tem potencial para recorrer a uma quantidade significativa de fundos europeus dentro da política de coesão", explicou.