Trinta e dois líderes locais da Fatah, que constituem a ala jovem da facção dominante na Cisjordânia, se demitiram de seus cargos na quinta-feira, em protesto contra supostos erros administrativos dos líderes mais velhos.
A demissão coletiva foi apresentada como uma tentativa de provocar reformas na Fatah para que o grupo continue atraindo os palestinos, cada vez mais seduzidos pela facção rival Hamas ao longo destes mais de quatro anos de conflito com Israel.
"Trinta e dois líderes da ala jovem da Cisjordânia renunciaram coletivamente em protesto contra os erros de direção do movimento por parte do Comitê Central," disse Hussein Al Sheikh, um dos demissionários, à Reuters.
O Hamas não disputou as eleições presidenciais de janeiro na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, o que abriu caminho para uma fácil vitória do veterano líder da Fatah Mahmoud Abbas, um moderado.
Mas o bom resultado do Hamas nas recentes eleições locais indica que o grupo pode obter muitas vagas na eleição parlamentar marcada para julho.
"A ala jovem decidiu tomar a iniciativa de resgatar a Fatah", disse outro demissionário, Ahmed Ghneim. "Do contrário, o Hamas vai se sair bem nas próximas eleições legislativas, como já fez nas eleições municipais de Gaza. Este passo não visa a confrontar a velha guarda, mas é uma tentativa de salvar a Fatah da desintegração."
Entre os demissionários estão os deputados Mohammad Hourani, Qadoura Faris e Hatem Abdel-Qader, que manterão suas vagas no Parlamento.
Ao desafiar a velha guarda, os rebeldes pretendem unir a juventude ao redor de Abbas e de seus esforços de manter um cessar-fogo declarado no mês passado, o que é um passo importante para a criação do Estado palestino.
Importantes fontes da Fatah na Autoridade Palestina disseram que não estavam a par das notícias e que não as comentariam.
Embora a Fatah, fundada há 40 anos, seja respeitada pela maioria dos palestinos por seu empenho na causa palestina, ela vem perdendo popularidade nos últimos anos devido às suspeitas de corrupção.
O Hamas, por outro lado, ganha cada vez mais adeptos por causa da sua transparência e de suas ações benemerentes.
A última eleição interna da Fatah ocorreu em 1989. Sob pressão dos jovens ativistas que exigem mudanças, os chefes da facção aceitaram, a contragosto, realizar nova eleição interna em agosto. "Decidimos realizar eleições primárias para escolher nossos próprios candidatos para disputarem as eleições legislativas", disse Sheikh.